poder360 -14/02/2026 11:26
A saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master, no
Supremo Tribunal Federal (STF), não aliviou o clima interno — pelo contrário.
Ministros passaram a desconfiar que reuniões reservadas entre integrantes da
Corte podem ter sido gravadas, e que parte do conteúdo teria sido repassada ao
Poder360.
Nesta sexta-feira (13), o jornal digital publicou um relato
detalhado das reuniões realizadas na quinta-feira, incluindo uma conversa
preparatória restrita a cinco ministros: o presidente Luiz Edson Fachin, Toffoli,
Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
Depois da publicação, ministros disseram ao blog que grande
parte do texto corresponde ao que foi discutido e reproduz frases literais
ditas no encontro. Algumas declarações, porém, teriam sido distorcidas. Segundo
esses magistrados, o relato também deixou de fora trechos negativos a Toffoli.
A ausência reforçou suspeitas internas contra ele, algo que teria circulado no
tribunal ao longo do dia.
Procurado pela GloboNews, Toffoli negou a acusação e afirmou
que a informação é "totalmente inverídica" e que ele nunca gravou
ninguém na sua vida.
A repercussão gerou espanto entre os ministros. "São
frases literais, numa sequência muito semelhante ao que aconteceu nas reuniões.
Para quem estava lá, a sensação é de que alguém dentro da sala gravou tudo
aquilo", disse um ministro. Outro foi direto: "É uma traição, muitas
frases são literais. Mas algumas são invenções a favor do próprio
vazador".
Ao todo, três reuniões aconteceram na quinta-feira: uma
restrita antes do plenário e outras duas após a sessão, com duração de duas
horas e vinte minutos e cerca de 30 minutos. Nenhum assessor participou
presencialmente.
Segundo o Poder360, na reunião reservada, oito dos dez
ministros teriam defendido a permanência de Toffoli no inquérito sobre fraudes
financeiras do banco de Daniel Vorcaro. Apenas Fachin e Cármen Lúcia teriam
sido favoráveis à saída. "Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A
população está contra o Supremo", teria dito Cármen Lúcia.
Ainda de acordo com a reportagem, Nunes Marques afirmou:
"Minha sugestão é que o ministro relator do processo faça uma proposição
dizendo que não é impedido nem suspeito e coloque os argumentos dele diante do
que foi apresentado e a gente vota. E pelo que vi aqui, ele vai ter maioria. O
ideal seria unanimidade, presidente [Fachin]".
Depois de uma manifestação de Flávio Dino sobre o contexto
político do caso, Toffoli teria aceitado que o melhor seria se afastar. Com
isso, André Mendonça foi sorteado como novo relator, o que evitou uma
decretação de suspeição e preservou os atos já praticados. Nesta sexta,
Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal para entender o andamento
da investigação.