metropoles -15/10/2025 22:43
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
autorizou a Agência Central de Inteligência (CIA) a realizar ações secretas na Venezuela, com o objetivo
de intensificar uma campanha contra Nicolás Maduro, presidente venezuelano.
As informações foram divulgadas pelo jornal americano The
New York Times, nesta quarta-feira (15/10), e depois confirmada pelo próprio
Trump.
As operações autorizadas podem incluir “ações letais” e outras
iniciativas da inteligência americana no Caribe, podendo ser executadas
isoladamente ou em conjunto com operações militares maiores.
Entenda o conflito entre os países
Os EUA e a Venezuela vivem uma escalada de tensões. O
governo Trump acusa o presidente venezuelano de liderar o Cartel de los Soles —
grupo classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional envolvida no tráfico de
drogas.
Em agosto, o governo norte-americano anunciou o envio de
navios e aeronaves militares para o Caribe, em uma área próxima à costa
venezuelana. No mesmo mês, o Departamento de Justiça dos EUA ofereceu uma
recompensa de R$ 50 milhões por informações que levem à prisão de Maduro.
Os militares americanos têm atacado embarcações na costa
venezuelana acusadas de transportar drogas para o território norte-americano.
Ao todo, 27 pessoas morreram nos ataques.
Em conversas particulares citadas pelo jornal, a Casa Branca
deixou claro que o objetivo final é remover Maduro do poder. Atualmente, cerca
de 10 mil soldados americanos estão posicionados na região, incluindo forças em Porto Rico e uma frota naval no Caribe.
Trump ordenou o fim das negociações diplomáticas com o
governo Maduro neste mês, frustrado com a recusa do líder venezuelano em ceder
voluntariamente ao poder americano e com sua insistência de que não há
envolvimento em tráfico de drogas.
A autorização da CIA, conhecida como “autorização
presidencial”, é um documento altamente confidencial que concede amplos poderes
para ações secretas. Geralmente, integrantes do Congresso são informados sobre
essas operações, mas estão proibidos de divulgar detalhes.
Ações da CIA são comuns na América Latina desde o século
passado, citando como exemplo o envolvimento da agência em golpes de Estado que
levaram à instalação de ditaduras militares no Brasil e no Chile.
O secretário de Estado Marco Rubio, que também atua como
conselheiro de segurança nacional de Trump, lidera a estratégia para derrubar
Maduro, a quem o governo americano classifica como “narcoterrorista”.
Operações intensas no Caribe venezuelano
Desde setembro, os EUA vêm bombardeando barcos que
supostamente pertencem a organizações narcoterroristas.
O último ataque foi autorizado na terça-feira (14/10), quando militares bombardearam um barco em águas internacionais
perto da costa da Venezuela. Segundo Trump, seis pessoas morreram.
A informação foi divulgada por meio de uma publicação feita
pelo republicano em sua própria rede social, a Truth Social.
“O ataque foi realizado em águas internacionais e seis
narcoterroristas do sexo masculino a bordo da embarcação foram mortos no
ataque. Nenhuma força dos EUA sofreu danos. Obrigado pela atenção a este
assunto!!!!”, disse Trump.
Este foi o quinto ataque registrado pelo Exército americano
contra embarcações próximas ao litoral venezuelano, no Mar do Caribe, desde
agosto.
Essas operações, no entanto, têm sido alvo de críticas de
entidades internacionais.
A China condenou, nesta quarta-feira (15/10), a ação militar
dos Estados Unidos contra um navio de pesca venezuelano no Caribe.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês,
Lin Jian, acusou o governo norte-americano de “exceder unilateralmente os
limites razoáveis da lei” e de interferir nos assuntos internos da América
Latina.
A Human Rights Watch afirmou que os bombardeios violam a lei
internacional por se tratar de “execuções extrajudiciais ilegais”.
Venezuela exige investigações sobre ataques americanos
Já o governo da Venezuela pediu para que a comunidade internacional investigue os ataques,
afirmando que as vítimas — que os EUA alegam ser narcotraficantes — eram apenas
pescadores.
Em resposta às operações americanas nas últimas semanas, a
Venezuela informou nesta quarta-feira sobre uma nova mobilização militar em duas regiões costeiras do norte,
próximas ao principal aeroporto do país.
O país também se prepara para decretar um possível estado de
emergência externa, uma medida que concede a Maduro poderes especiais e inclui
a “restrição temporária” de direitos constitucionais.