agencia brasil -17/06/2026 08:48
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou
nesta terça-feira (16) o ex-deputado Eduardo Bolsonaro a 4 anos e dois meses
anos de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. Cabe
recurso contra a decisão.![]()
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Além do tempo de prisão, o ex-deputado foi condenado a oito
anos de inelegibilidade e à perda do cargo de escrivão da Polícia
Federal.
Por unanimidade, o colegiado concordou com a acusação
apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e entendeu que há
provas para concluir que o ex-deputado articulou o tarifaço dos
Estados Unidos contra as exportações brasileiras para tentar evitar a
condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.
Além disso, outras medidas adotadas pelo governo
norte-americano, como a revogação dos vistos de ministros da Corte e do governo
federal e a aplicação das sanções econômicas da Lei Magnitsky, também tiveram o mesmo objetivo, conforme o
entendimento da Corte.
Ex-deputado
Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro está nos Estados
Unidos, desta forma, perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões
da Câmara dos Deputados.
Na prática, Eduardo não deve cumprir a pena enquanto estiver
no exterior. O ex-deputado é aliado do presidente Donald Trump, e a notificação
para cumprimento da pena dificilmente seria cumprida pelo governo
norte-americano.
Acusação
Durante o julgamento, a acusação foi lida pelo subprocurador-geral
da República Antônio Edilio Magalhães Teixeira, que defendeu a condenação de
Eduardo.
Segundo o subprocurador, as ameaças de Eduardo ocorreram
durante a tramitação do processo da trama golpista e foram concretizadas por
meio do tarifaço, a suspensão dos vistos de oito dos 11 ministros da Corte e
por meio das sanções econômicas da Lei Magnitsky.
Defesa
A defesa do ex-deputado foi feita pela Defensoria
Pública da União (DPU).
Durante a sustentação, o defensor público federal Esdras dos
Santos Carvalho disse que Eduardo não teve ingerência na decretação das medidas
do presidente Donald Trump contra o Brasil. Segundo Esdras, Eduardo realizou
"interlocução política".
"Eduardo não teve poder decisão sobre a política
externa dos Estados Unidos, não integra o governo norte-americano e não exerce
função pública naquele país", afirmou.
Votos
O placar unânime de 4 votos a 0 foi obtido a partir do voto
do relator, ministro Alexandre de Moraes.
O ministro disse que o ex-deputado levou desinformação ao
governo norte-americano e prejudicou o Brasil. Contudo, segundo Moraes, as
ações não impediram a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de
prisão.
A manifestação do relator foi seguida pelos ministros
Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.