folhapress -05/12/2025 18:36
O Senado acumula 99 pedidos de abertura de processo de
impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2020,
quando decisões da corte sobre o enfrentamento à Covid-19 e o inquérito das
fake news tensionaram a relação entre Legislativo e Judiciário.
O ministro Alexandre de Moraes é o principal alvo dos
requerimentos para ser afastado do cargo. São 56 pedidos de impeachment contra
ele. Da atual composição da corte, o decano, Gilmar Mendes, está em segundo
lugar na lista, com 12. Ex-ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), Flávio Dino aparece em terceiro lugar (8).
Gilmar é o protagonista da última tensão entre STF e Congresso.
Na quarta-feira (3), em uma decisão que ajuda a blindar seus colegas, ele
suspendeu trechos da Lei do Impeachment que tratam justamente do afastamento de
ministros.
A decisão liminar (provisória) causou forte reação no
Legislativo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), chegou
no mesmo dia a falar em mudar a Constituição em resposta à medida de Gilmar.
Até então, qualquer cidadão poderia ingressar com um pedido
de impeachment. É o que define a Lei do Impeachment, que prevê os crimes de
responsabilidade.
O inciso II do artigo 52 da Constituição Federal diz que
cabe ao Senado julgar ministros do STF quanto a crimes de responsabilidade.
Cabe ao chefe do Senado - hoje, Alcolumbre- decidir se dará prosseguimento ou
não à solicitação.
O mecanismo do pedido de impeachment tem sido usado por
senadores e deputados da oposição, em sua maioria bolsonaristas, como forma de
pressionar o Legislativo e a opinião pública contra decisões que eles
consideram injustas ou parciais. Uma das principais queixas é a prerrogativa
dos magistrados de impor decisões individuais (monocráticas).
Entre os casos recentes de insatisfação de congressistas
bolsonaristas, por exemplo, estão as decisões de Alexandre de Moraes à frente
da relatoria da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) à prisão.
Levantamento da Folha com dados do Senado também mostram que
nenhum dos atuais magistrados do Supremo se livrou das investidas de
congressistas e de cidadãos. Os indicados por Bolsonaro, Kassio Nunes Marques e
André Mendonça, foram menos visados. Têm apenas 2 e 1 pedidos de impeachment.
Entre aqueles que já não estão mais no STF, Luís Roberto
Barroso, que decidiu antecipar sua aposentadoria compulsória e deixou a corte
neste ano, tem 22 pedidos de impeachment. Também foram feitas solicitações
visando Ricardo Lewandowski (hoje ministro da Justiça e Segurança), Rosa Weber,
Marco Aurélio de Mello e Celso de Mello.