agencia brasil -02/09/2026 23:03
Sem ter segurança sobre os votos necessários para aprovar a
Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6x1 e da redução da
jornada de trabalho, a base do governo no Senado Federal decidiu não arriscar
uma apreciação em plenário nesta quarta-feira (2). Com isso, a proposta só deve
ser votada após o 1º turno das eleições, em outubro.![]()
![]()
"Hoje, houve um movimento bem sucedido da
oposição", afirmou o líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe
Rodrigues (PT-AC), referindo-se ao esvaziamento do plenário e à consequente
impossibilidade de votação.
Em entrevista à imprensa, Randolfe atribuiu a uma "ação
coordenada" de oposicionistas - com participação direta dos senadores
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente da República, e do líder
da oposição, o também senador Rogério Marinho (PL-RN) - para desmobilizar
a presença dos parlamentares para uma possível votação. “A oposição ao nosso
governo é contra o fim da escala 6x1. Ponto”, disse.
O líder do governo afirmou que a oposição já havia
demonstrado resistência na CCJ, onde houve quatro votos contrários à proposta.
Dos 27 senadores presentes na comissão, quatro registraram
votos contrários: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS),
Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
Apesar do registro dos votos, a aprovação da PEC no
colegiado se deu de forma simbólica. A última etapa para a aprovação da
matéria é justamente a votação no plenário do Senado, em dois turnos, com o
mínimo de 49 votos favoráveis, o que corresponde a 60% do apoio dos 81
senadores.
A PEC 221/2019 prevê a obrigatoriedade de descanso
remunerado de dois dias por semana, sem redução salarial, e reduz a atual
jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição de
14 meses.
A CCJ chegou a aprovar um calendário especial para acelerar
a tramitação da proposta, eliminando intervalos regimentais (chamados de
interstícios) e permitindo que a matéria pudesse ser votada ainda nesta
semana no plenário, em regime de urgência. A inclusão na pauta do
plenário depende do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Ao ser perguntado sobre isso, o líder do governo explicou
que Alcolumbre questionou os governistas se havia segurança quanto ao número de
votos. Diante da resposta negativa, governo e presidente do Senado consideraram
mais prudente não submeter a PEC, que poderia ser derrotada, principalmente por
uma provável ausência de senadores para votá-la, o que impediria o alcance do
piso mínimo de apoio.
Randolfe Rodrigues afirmou que o governo estimava ter 53 ou
54 votos favoráveis, mas que essa margem não oferecia segurança suficiente para
colocar a PEC em votação. O próximo esforço concentrado de votações no
Congresso Nacional está previsto para a segunda semana de outubro.
A Agência Brasil entrou em contato com o senador
Rogério Marinho, líder da oposição, para obter uma posição sobre o fato de a
PEC não ter sido incluída na votação, mas ainda não teve retorno. Contrário à
PEC, Marinho apresentou uma proposta alternativa que mantém a escala 6x1 e a
jornada semanal máxima de 44 horas, com a possibilidade de diferentes jornadas
de trabalho em negociação direta entre trabalhadores e empregadores. A
iniciativa prevê que a remuneração seja calculada de acordo com as horas
trabalhadas.
A reportagem também procurou Flávio Bolsonaro para comentar
as declarações de Randolfe. Integrante da CCJ, ele estava ausente quando a PEC
foi aprovada no colegiado. Nos últimos dias, ele também defendeu a proposta de
pagamento por hora trabalhada e evitou dizer como votaria no texto que prevê o
fim da escala 6x1. O espaço para manifestação segue aberto.