r7 -30/04/2022 22:34
O presidente do Peru, Pedro Castillo, teve que voltar de
carro às pressas para seu país depois de uma viagem ao Equador para evitar ser
cassado pelo Congresso, pois o mau tempo o impediu de viajar de avião.
Em um país onde os presidentes são frequentemente removidos
do cargo, Castillo arriscava infringir a Constituição se não retornasse ao Peru
antes da meia-noite de sexta-feira.
Estava perto da hora de expirar a permissão dada pelo
Parlamento ao presidente esquerdista para que ele visitasse seu vizinho no
Equador, onde chefiou um gabinete binacional com seu homólogo Guillermo Lasso
na cidade de Loja, a 264 km da fronteira peruana por estrada.
Exceder o prazo teria dado aos opositores, que controlam o
Legislativo, um pretexto para proceder à destituição de Castillo, já que a
Carta Magna peruana não contempla exceções por causas meteorológicas.
Como o avião presidencial não pôde decolar devido ao mau
tempo, Castillo teve que fazer uma viagem de carro de cinco horas para chegar à
fronteira peruana a tempo.
Uma hora antes do fim do prazo, Castillo chegou ao posto
fronteiriço de Tumbes, segundo a mídia local, o que o liberou de enfrentar uma
nova moção de "vacância presidencial" (destituição), a terceira em
seus nove meses no poder.
As moções de "vacância" se tornaram habituais no
Peru e causaram a queda dos presidentes Pedro Pablo Kuczynski (de direita), em
2018, e Martín Vízcarra (de centro), em 2020, o que aumenta a instabilidade no
país.
Desde dezembro de 2017, os parlamentares peruanos
apresentaram seis moções de vacância ao Congresso, duas delas contra Castillo.