cnn -14/03/2026 16:33
O partido Novo entrou com uma representação no Conselho
de Ética da Câmara dos Deputados contra a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP)
após ação envolvendo o apresentador Ratinho.
O documento, assinado pelo presidente do partido, Eduardo
Ribeiro, foi enviado à Mesa Diretora da Casa neste sábado (14). O Novo pede a
abertura de um processo por quebra de decoro que pode levar à perda de
mandato de Erika.
Na representação, a legenda afirma que a deputada tem
perseguido “quem se vale do direito fundamental de liberdade de expressão
acerca da distinção entre sexo e identidade de gênero” utilizando órgãos
públicos e o Poder Judiciário.
Nesta semana, a deputada foi eleita e se tornou a primeira mulher transsexual a ocupar a cadeira da
presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. O
apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, comentou o fato
durante seu programa no canal SBT pouco depois.
Ele disse que Erika "não era mulher, era trans" e
que a escolha para a cadeira deveria ser de uma mulher cisgênero. Ratinho ainda
afirmou que "mulher para ser mulher tem que ter útero".
A deputada, então, pediu para o Grupo Especial de Combate
aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP (Ministério Público de São
Paulo) investigar o apresentador sob a acusação de transfobia.
No ofício, Erika argumentou que Ratinho utilizou sua
identidade de gênero como um "elemento central" para desqualificar
sua atuação política. Depois, nas redes sociais, o apresentador afirmou que
“crítica política não é preconceito”.
O caso é mencionado na representação do partido Novo contra
a deputada. A legenda também cita ações de Erika contra
ativistas e alega que ela usa a sua “condição de parlamentar para politizar
discussões estritamente jurídicas”.
“Esta representação, então, não questiona o direito da
parlamentar de se expressar politicamente, mas sim visa imputar justamente a
prática de ilícito ético-disciplinar da deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP)
de usar o seu mandato para se valer de instrumentos jurídicos para silenciar
seus opositores, intimidar dissidentes e tornar nula o direito constitucional e
fundamental à liberdade de expressão e à pluralidade de ideias”, completou a
legenda.
Após o pedido ser protocolado, cabe ao Conselho de Ética da
Câmara analisar a representação e decidir se vai abrir ou não uma análise do
caso. A CNN acionou a assessoria da deputada para um
posicionamento sobre o caso. O espaço segue aberto.