cnn -23/02/2026 13:27
A troca de indiretas entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário de Governo paulista, Gilberto Kassab (PSD), expôs um incômodo que já vinha sendo percebido nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes e do PSD.
A tensão ganhou dimensão pública após Kassab afirmar, no fim
de janeiro, que Tarcísio precisa ter identidade própria em relação ao ex-presidente
Jair Bolsonaro, diferenciando lealdade de submissão. A
declaração foi interpretada por aliados do governador como um recado direto
sobre o vínculo político entre os dois.
Na quinta-feira (19), durante evento, Tarcísio respondeu de
forma indireta. O governador afirmou que quem fala em submissão não
entende nada sobre lealdade nem sobre amizade, acrescentando que se
mantém fiel aos próprios valores.
Um dia depois, Kassab publicou nas redes sociais uma
mensagem em que lista “bons amigos e conselheiros” na trajetória política e
relembra apoios que considera acertos — entre eles, o próprio respaldo dado à
candidatura de Tarcísio em 2022. O gesto foi lido por interlocutores como
uma resposta calculada ao movimento do governador.
Aliados de Tarcísio ouvidos pela CNN admitem que
houve um resfriamento na relação política entre os dois. Segundo
esses interlocutores, Kassab perdeu espaço nas conversas mais estratégicas do
entorno do governador. A contratação de um novo secretário de Casa Civil, mais
atuante na articulação política, é mais um elemento que corrobora o cenário
atual do governo paulista.
Reservadamente, integrantes do grupo político de Tarcísio
afirmam que o presidente do PSD “foi para o fim da fila” entre os nomes
cotados para eventual composição como vice em 2026, após as declarações
recentes.
A avaliação no entorno do governador é que a fala sobre
submissão criou ruído desnecessário em um momento de tentativa de consolidação
política nacional.
Disputa silenciosa por 2026
O desgaste se soma a outros pontos de atrito já mapeados por lideranças
políticas em São Paulo.
Entre eles está a movimentação do PSD para filiar prefeitos
e parlamentares no estado, avanço que gerou incômodo em setores da base aliada
do governo paulista.
Outro foco de tensão é a composição de uma eventual chapa
futura. Kassab é apontado por aliados como interessado em ocupar a vaga de vice
em um projeto eleitoral de Tarcísio, enquanto o governador tem sinalizado preferência por manter o atual
vice, Felício Ramuth.
Há ainda diferenças de avaliação sobre a estratégia
nacional. Enquanto Tarcísio mantém alinhamento público com Bolsonaro,
dirigentes do PSD defendem, nos bastidores, a necessidade de ampliar pontes ao centro
político.
Saída de Kassab do governo Tarcísio
Apesar do ruído, interlocutores dos dois lados afirmam que
não há, neste momento, risco de rompimento. Kassab segue, mesmo que por
pouco tempo, no comando da Secretaria de Governo e é considerado peça relevante
na articulação política da gestão paulista.
A saída de Kassab do governo estadual, já planejada
anteriormente, deve se concretizar em breve. O secretário quer focar nas
estratégias do PSD para as eleições. E também avalia, segundo aliados, ser incompatível
se manter secretário em São Paulo enquanto participa ativamente de campanhas em
diversos outros estados pelo país.