metropoles -02/04/2026 08:05
O Departamento de Estado (DoS) dos Estados Unidos afirmou,
nesta quarta-feira (1º/4), ter “sérias preocupações” com decisões judiciais
brasileiras que “restringem a liberdade de expressão on-line” e com supostas
ações do governo brasileiro para “suprimir” críticos.
A declaração, enviada ao Metrópoles, foi feita em resposta a
um relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA que critica decisões do
ministro Alexandre de Moraes (STF) que determinam a supressão de postagens e de
contas em redes sociais. O texto do DoS, no entanto, não menciona Moraes.
No governo dos EUA, o Departamento de Estado é equivalente ao Ministério das
Relações Exteriores (MRE) brasileiro. A pasta é comandada atualmente pelo
político e advogado Marco Rubio.
“Temos manifestado séria preocupação com decisões judiciais
amplas e desproporcionais que restringem a liberdade de expressão on-line e o
acesso à informação, bem como com ações governamentais que, de forma secreta,
suprimem opiniões políticas desfavoráveis — incluindo as de jornalistas e
autoridades eleitas — sem o devido processo legal”, diz a declaração do
Departamento de Estado dos EUA.
A declaração não detalha quais seriam essas “ações
governamentais”.
Como mostrou a coluna, um relatório do Comitê Judiciário do
Congresso dos Estados Unidos, atualmente controlado pelo Partido Republicano, acusou o ministro Alexandre de Moraes de atacar o direito
à liberdade de expressão naquele país.
Publicado nesta quarta-feira, o relatório afirma ainda que
decisões de Moraes promoveriam uma “campanha de censura e lawfare” que
“atinge o cerne da democracia brasileira”, com impacto potencial sobre as
eleições de 2026.
O texto cita o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente
vivendo nos EUA, e seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato
do PL à Presidência da República.
“As ordens de censura e o lawfare conduzidos pelo
ministro Moraes contra a família Bolsonaro e seus apoiadores podem prejudicar
significativamente sua capacidade de se expressar on-line sobre temas de
interesse público nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”,
diz um trecho.
Por meio de intimações na Justiça dos EUA, o Comitê
Judiciário obteve cópias de ordens de Alexandre de Moraes e de outros órgãos da
Justiça brasileira direcionadas a empresas de redes sociais dos EUA,
determinando a remoção de postagens e a suspensão de contas.
O relatório é acompanhado de 85 anexos. A maioria consiste
em decisões de Moraes ordenando a suspensão de contas e a remoção de postagens.
Há, por exemplo, quatro diferentes ordens para a plataforma de áudio Spotify
remover conteúdos do youtuber Bruno Aiub, conhecido como Monark.
Outro anexo traz “ordens e decisões do ministro Alexandre de
Moraes para censurar e fornecer dados sobre Eduardo Bolsonaro e outros dois
indivíduos”, datadas de 23 de setembro de 2025.
A reportagem do Metrópoles procurou Moraes para comentar, na
manhã desta quarta-feira (1º/4), mas não houve resposta até o momento. O espaço
segue aberto.