metropoles -07/09/2026 21:40
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, chamou ministros da Corte para conversas nesta semana sobre a crise no tribunal. Os encontros devem ocorrer nos próximos dias, sem que esteja definido se Fachin reunirá o grupo ou falará individualmente com os colegas.
Quem conversou com Fachin relata que ele gostaria de tomar
uma decisão sobre a situação de Alexandre de Moraes, mas vem sendo alertado de
que nenhuma medida avançará sem o consenso dos integrantes do tribunal.
Se houver, por exemplo, uma proposta para que Moraes se
afaste até que o caso seja analisado, o grupo mais próximo ao ministro deverá
cobrar reciprocidade em relação a André Mendonça. Moraes acusa o relator do
caso Master de agir com parcialidade e de direcionar as investigações para
atingi-lo, avançando o inquérito de forma ilegal.
A maior preocupação entre ministros do Supremo hoje é a
possibilidade de Fachin convocar uma reunião do plenário para tratar da crise.
“Se fizer isso, a reunião começa, mas não termina”, resume um ministro, numa
referência ao grau de tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, que se
enfrentariam diante das câmeras.
Há ainda um componente que torna o encontro mais delicado:
Moraes e Mendonça sentam lado a lado no plenário, seguindo a ordem de
antiguidade na Corte. Os dois já tiveram um confronto que, por pouco, não
chegou às vias de fato. Uma saída seria levar o assunto ao plenário virtual,
onde os ministros apresentam seus votos eletronicamente, sem a necessidade de
se reunirem presencialmente.
As manifestações de 7 de Setembro eram vistas como um ponto
de tensão entre ministros do Supremo caso conseguissem reunir uma massa
expressiva de pessoas sem coloração partidária.
Não foi o que ocorreu. A direita se apropriou do
discurso contra a Corte, o que reduz o impacto da pressão sobre os ministros. A
avaliação é que o efeito seria diferente se a insatisfação com o Supremo
tivesse se mostrado uma agenda mais ampla do eleitorado, e não identificada com
um campo político.
Entenda que motivou a crise no Supremo
A crise se agravou com a revelação da coluna de
que Mendonça determinou à Polícia Federal que identificasse o interlocutor de
Daniel Vorcaro em mensagens encontradas no celular do banqueiro. A PF apontou
que se tratava de Moraes. A partir daí, Moraes passou a questionar a atuação do
relator e a forma como as investigações vêm sendo conduzidas.
Nos diálogos, Vorcaro pede a Moraes “proteção” do
procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei
Rodrigues. As respostas do ministro não aparecem no relatório porque, segundo a
investigação, foram enviadas no modo de visualização única.