moises eustaquio -06/04/2026 13:30
“Não basta duplicar: é preciso compreender o território que sustenta a cidade”
A rotatória implantada na Rodovia Marechal Rondon, no
patrimônio de Paranápólis, consolidou-se como um exemplo de engenharia viária
eficiente, onde a fluidez do tráfego se harmoniza com a segurança dos usuários.
Trata-se de um dispositivo que, ao longo do tempo, demonstrou na prática aquilo
que os melhores projetos buscam: reduzir conflitos, organizar acessos e
praticamente eliminar registros de acidentes relevantes, mesmo em uma rodovia
de grande circulação.
Em contraponto, o cenário observado na confluência da Rodovia
da Integração (SP-563) com a Avenida Rio Grande do Sul, em Andradina, revela
uma realidade distinta — não pela incapacidade estrutural do local, mas pela
ausência de um modelo viário que dialogue com a intensidade econômica e o
volume de tráfego ali concentrados.
A comparação entre os dois pontos evidencia uma disparidade
significativa: enquanto a rotatória da Marechal Rondon atende com eficiência um
fluxo considerável, porém mais homogêneo, o eixo Integração–Rio Grande do Sul
concentra um movimento diário muito superior, impulsionado por uma cadeia
econômica robusta e diversificada.
Ali se encontram postos de combustíveis, restaurantes, mercados,
barbearias, oficinas, borracharias, depósitos de materiais de construção, transportadoras
e uma série de serviços voltados, sobretudo, ao atendimento de caminhoneiros e
viajantes — um verdadeiro corredor logístico e comercial.
Esse dinamismo econômico se traduz em números expressivos.
Estima-se que dezenas de empresas instaladas no entorno da rodovia e da avenida
sejam responsáveis pela geração de centenas de empregos diretos e indiretos,
além de uma arrecadação significativa de tributos municipais, especialmente o
ISS. Trata-se de um polo que não apenas sustenta famílias, mas também contribui
de forma decisiva para o equilíbrio financeiro do município. Ou seja, a
arrecadação seria suficiente para construção de vários viadutos ao longo do
ano.
Diante desse contexto, qualquer intervenção viária que
desconsidere a lógica de acesso e circulação existente pode provocar impactos
que vão além do trânsito, atingindo diretamente o coração econômico da região.
A eventual supressão de acessos diretos, aliada à obrigatoriedade de retornos
distantes, tende a desestimular o fluxo espontâneo de clientes, especialmente
no segmento de transporte rodoviário, onde tempo e praticidade são fatores
determinantes.
É nesse ponto que o modelo adotado na Marechal Rondon surge
como referência concreta e viável. A implantação de um dispositivo semelhante —
uma rotatória moderna, dimensionada para o alto volume de veículos — poderia
conciliar os objetivos da duplicação com a preservação da atividade econômica
local. Mais do que uma solução técnica, trata-se de uma escolha estratégica:
promover o desenvolvimento sem comprometer aquilo que já funciona e gera
resultados.
O desafio, portanto, não está em optar entre progresso e
tradição, mas em integrá-los com inteligência. Andradina não pode correr o
risco de substituir um sistema funcional por um modelo que, embora tecnicamente
concebido, desconsidere as particularidades socioeconômicas do seu território.
Ao olhar para o exemplo de Paranápólis, fica evidente que
soluções eficientes já existem dentro da própria malha rodoviária regional.
Cabe agora aos órgãos responsáveis, como o DER, avaliar com sensibilidade e
responsabilidade a adoção de alternativas que garantam não apenas a fluidez do
tráfego, mas também a continuidade de um ecossistema econômico que sustenta
empregos, arrecadação e desenvolvimento.
Porque, no fim, uma obra viária não deve apenas encurtar
caminhos — deve também preservar destinos.