noticias ao minuto -21/09/2026 08:39
O Conselho de Presidentes da Assembleia Geral das Nações Unidas alertou neste domingo (20) para o que considera um enfraquecimento do multilateralismo e um aumento dos riscos relacionados a uma possível escalada nuclear.
Em comunicado, o órgão, formado por ex-presidentes da
Assembleia Geral e que também conta com o atual presidente como membro "ex
officio", afirmou estar preocupado com violações da Carta das Nações
Unidas e com o avanço de decisões unilaterais nas relações entre os Estados.
Segundo o Conselho, um dos sinais desse cenário é a ausência
de novos acordos juridicamente vinculantes e verificáveis de controle de armas
nucleares entre as principais potências.
O grupo também mencionou a continuidade da corrida
armamentista e fez referência a acordos bilaterais recentes e às reiteradas
declarações da Coreia do Norte sobre seu programa nuclear. Essas avaliações
fazem parte do posicionamento divulgado pelo próprio Conselho.
Inteligência artificial também preocupa
O Conselho afirmou ainda que o risco de uma guerra nuclear é
agravado por diferentes fatores, entre eles o rápido desenvolvimento de
tecnologias baseadas em inteligência artificial, as discussões cada vez mais
frequentes sobre o possível uso de armas nucleares táticas e o enfraquecimento
de doutrinas tradicionais de dissuasão.
O órgão também citou os esforços de outros países para
desenvolver capacidade nuclear militar como um elemento adicional de
preocupação.
Diante desse cenário, defendeu a realização de uma
conferência internacional sob os auspícios das Nações Unidas para tratar do
controle de armas nucleares e dos mecanismos de prevenção de uma escalada.
Guerras na Ucrânia e no Oriente Médio entram no alerta
O comunicado também aborda as guerras na Ucrânia e no
Oriente Médio.
Segundo o Conselho, os conflitos apresentam sinais de
expansão e podem produzir efeitos que ultrapassam as regiões diretamente
envolvidas, com consequências econômicas, financeiras, sociais, humanitárias e
para o desenvolvimento global.
O grupo chamou atenção especialmente para o impacto sobre as
populações civis e condenou ataques realizados com drones, mísseis balísticos e
outros armamentos contra áreas civis.
No comunicado, o Conselho classificou ataques deliberados
contra civis como violações graves do direito internacional e pediu a
interrupção imediata dessas ações.
Também alertou para possíveis reflexos sobre a segurança
alimentar, o aumento da pobreza e os esforços de desenvolvimento de países do
chamado Sul Global.
Conselho pede atuação de António Guterres
O órgão pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres,
que intensifique sua atuação diplomática diante dos conflitos e avalie medidas
para chamar a atenção do Conselho de Segurança para os riscos de uma escalada.
O Conselho também recomendou que a Assembleia Geral discuta,
em caráter de urgência, as crises na Europa e no Oriente Médio e avalie como
diferentes órgãos das Nações Unidas podem atuar de maneira coordenada diante de
seus impactos globais.
O atual presidente da Assembleia Geral é Khalilur Rahman,
ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, eleito em junho para comandar a
81ª sessão da Assembleia. Ele assumiu o cargo em 8 de setembro.
Grupo pede debate urgente sobre inteligência artificial
Além da questão nuclear, o Conselho solicitou uma discussão
específica sobre a governança da inteligência artificial, com atenção especial
ao desenvolvimento da chamada inteligência artificial geral.
Entre as propostas estão a criação de um observatório
global, mecanismos de certificação para sistemas considerados seguros e
confiáveis, uma convenção internacional sobre o tema e a eventual criação de um
organismo dedicado à governança dessas tecnologias.
O Conselho de Presidentes da Assembleia Geral foi criado em
1997 e reúne os ex-presidentes vivos da Assembleia, além do ocupante atual do
cargo. Entre seus objetivos estão preservar a memória institucional, apoiar a
presidência da Assembleia e defender o fortalecimento do multilateralismo
dentro das Nações Unidas.