brasil ao minuto -14/11/2025 13:17
Neste 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, novos estudos reforçam o alerta para o avanço da doença no Brasil. De acordo com o Atlas Global da Federação Internacional de Diabetes (IDF), publicado no início do ano, 589 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos vivem com a condição em todo o mundo. No Brasil, são mais de 16 milhões de adultos diagnosticados, o que coloca o país na sexta posição do ranking mundial, atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos, Paquistão e Indonésia, todos com populações maiores que a brasileira.
O dado representa um aumento de quase 6% em quatro anos,
visto que o número de casos no atlas de 2021 era de pouco mais de 15 milhões. Especialistas
apontam que esse dado pode ser ainda maior, devido ao subdiagnóstico da
doença. “Cerca de uma em cada três pessoas com diabetes ainda não sabe que
tem a doença. Isso acontece porque o diabetes é uma doença silenciosa, que
costuma apresentar sintomas apenas em fases mais avançadas”, revela Luiza
Esteves, endocrinologista do Hospital São Marcelino Champagnat.
Ainda de acordo com a IDF, o diabetes foi responsável por
3,4 milhões de mortes no mundo em 2024, o que representa uma morte a cada seis
segundos. No Brasil, foram 111 mil óbitos por diabetes no mesmo período, uma
média de 304 mortes diárias. Além disso, os custos gerados pela doença também
são alarmantes. O país é o terceiro que mais gasta com o diabetes, direcionando
mais de 45 bilhões de dólares para os tratamentos e sequelas da doença (R$ 239
bilhões na cotação atual).
Prevalência entre idosos é ainda mais preocupante
Segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção
para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2023, a prevalência
do diabetes é de 10,2% na população geral, 22,4% entre pessoas de 55 a 64 anos
e 30,4% em idosos acima dos 65 anos. A tendência é que esse número siga
crescendo, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da
obesidade e pela alimentação ultraprocessada.
Além disso, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) também
tem observado um crescimento preocupante entre crianças e adolescentes, reflexo
direto do aumento da obesidade nessa faixa etária. O diabetes tipo 2, antes
predominante em adultos, começa a aparecer cada vez mais cedo. “Trata-se de uma
condição multifatorial, resultado da combinação de uma alimentação inadequada,
sedentarismo, genética, obesidade e, em alguns casos, uso de medicamentos”,
explica a endocrinologista.
Principais sintomas e complicações
O diabetes é conhecido como a “doença silenciosa” porque
pode permanecer assintomático por anos. No entanto, quando desencadeado,
provoca sinais clássicos. “Os sintomas mais comuns são aumento na
frequência da urina, perda de peso, fome e sede excessivas, além de cansaço
constante”, detalha a especialista. As complicações, quando não há controle da
doença, podem ser graves – doenças cardiovasculares, infarto, AVC,
insuficiência renal, problemas de visão e alterações vasculares, que podem
levar o paciente à morte.
Tratamentos disponíveis
O tratamento depende do tipo de diabetes do paciente. O tipo
2 é controlado, em muitos casos, com medicamentos orais e mudanças no estilo de
vida. “O diabetes tipo 2 necessita de antidiabéticos orais e, em situações
específicas, medicamentos injetáveis como os análogos de GLP-1 ou a insulina”, explica
a médica. Já o tipo 1, mais comum em crianças e jovens, exige o uso diário de
insulina. "Além do tratamento medicamentoso, é essencial adotar um
estilo de vida saudável e monitorar regularmente a glicemia", ressalta.
Prevenção e qualidade de vida
A melhor forma de combater o diabetes continua sendo o
investimento em hábitos saudáveis. “Manter uma alimentação equilibrada,
rica em frutas, legumes e grãos integrais, além de evitar ultraprocessados e
açúcares, é fundamental. Também é importante praticar atividade física
regularmente, pelo menos 150 minutos por semana, manter um peso adequado e ter
um sono de qualidade”, orienta a endocrinologista.
Mesmo com o diagnóstico, a doença pode ser controlada. “O
diabetes é uma condição controlável. Com diagnóstico precoce e tratamento
adequado, é possível ter qualidade de vida e evitar complicações. Para isso,
conscientização, educação em saúde e acesso ao cuidado são fundamentais”,
finaliza.