r7 -01/05/2022 19:59
Em ano eleitoral, o governo já informou que pretende manter
a bandeira
verde, tarifa mais baixa, até o fim do ano. Mas isso pode não ser viável do
ponto de vista técnico, porque há probabilidade de ser necessário o uso de
termoelétricas para suprir a falta de chuvas na região Sul.
Segundo o professor do Instituto de Energia e Ambiente da
USP (Universidade de São Paulo), Pedro Côrtes, a afirmação do governo é
“prematura”. “Os prognósticos climáticos para o sul do país não são favoráveis,
por conta do fenômeno La Niña, que vai impactar o abastecimento dos
reservatórios. Pode ser que a gente não tenha condições de manutenção da
bandeira verde até dezembro", avalia.
O La Niña é um fenômeno que provoca estiagem no sul do
Brasil. Apesar das últimas chuvas na região, ele deve continuar por aqui entre
a metade do segundo semestre e 2023.
Côrtes reforça que não há risco para o abastecimento do
país. Mas o racionamento das termoelétricas, que têm produção mais cara,
provavelmente será necessário.
Cobrança virá em 2023
Caso o governo mantenha a conta de luz mais barata neste
ano, o valor será cobrado em 2023. “Se insistirem em manter a bandeira verde,
mesmo sem condições técnicas para isso, por ser um ano eleitoral, essa
diferença será cobrada no próximo ano”, explica Côrtes.
Há ainda, prevista para o próximo ano, a cobrança do valor
emprestado a distribuidoras de energia. “Durante a crise hídrica no ano passado
foi adotada a bandeira de escassez, mais cara que a vermelha, e isso não foi
suficiente para bancar o custo das termoelétricas. Então muitas empresas
alegaram que estavam no prejuízo. O governo, então, autorizou a contratação de
empréstimos junto aos bancos privados e públicos e informou que a partir de 2023
será cobrada uma sobretaxa nas contas, exatamente para pagar esse
empréstimo", afirma o professor.