r7 -24/12/2021 13:03
Com uma greve
deflagrada e pelo menos 625
pedidos voluntários de exoneração de cargos em comissão e funções de confiança por
auditores da Receita Federal, muitas das atividades de fiscalização tributária
e aduaneira ficarão paralisadas ou mais lentas neste fim de ano no país. Entre
os pedidos de exoneração, estão os dos 44 conselheiros do Carf (Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais), que apresentaram renúncia coletiva na
quinta-feira (23).
A adesão à paralisação, que começa segunda-feira (27), foi
apoiada por 97% dos 4.287 votantes — recorde de participação em assembleia
sindical desde 2016, informa o Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos
Auditores Fiscais da Receita Federal).
O principal motivo da greve é a falta de regulamentação do
chamado “bônus de eficiência”. “Tal descaso se estende, inclusive, a questões
remuneratórias, como fica evidente pela demora na regulamentação do bônus de
eficiência, uma pendência de cinco anos, o que revela desprestígio
institucional incompatível com a importância da Receita Federal do
Brasil", dizem no texto.
Os servidores aprovaram ainda que os cargos em comissão e
funções de confiança “não serão ocupados até que o governo faça a publicação do
decreto de regulamentação do bônus de eficiência”. Com os pedidos de
exoneração, os servidores deixam os postos, mas permanecem na carreira, já que
são concursados.
A exceção se dará nas fronteiras, onde haverá
“operação-padrão”, ou seja, ritmo reduzido, “ressalvados [os trabalhos com]
medicamentos e insumos médicos e hospitalares, cargas vivas, perecíveis, bem
como aquelas definidas como prioritárias pela legislação vigente, bem como o
tráfego de viajantes em trânsito internacional, até que o governo faça a
publicação do decreto de regulamentação do bônus de eficiência”.
Os servidores aprovaram “meta zero para todos os setores e
atividades da Receita Federal e do Carf, ressalvadas as decadências e demandas
judiciais”. Segundo Kleber Cabral, presidente do Sindifisco Nacional, “é
paralisação, e em todas as atividades. Na área aduaneira, aí não é paralisação,
aí é operação-padrão, quer dizer, é um aumento do rigor, o que acaba demorando
mais, direcionado a importação e exportação de carga. Não haverá nenhum tipo de
impacto na vida do viajante, do passageiro. Zero de impacto. Fiquem tranquilos,
viajem tranquilos”.
Entre os pontos aprovados na assembleia sindical também
estão “a paralisação de todos os projetos nacionais e regionais do Plano
Operacional, bem como que todos os Gerentes de Projeto requeiram seu pronto
desligamento”, e "o não preenchimento dos relatórios de atividades (RHAF,
FRA, RIT)”.
Cortes no Orçamento 2022
O ato ocorre também em protesto contra cortes no orçamento
do órgão por parte do governo — enquanto isso se deu no Carf, a Polícia
Federal, por exemplo, teve R$ 1,7 bilhão destinados a reajustes. O
Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal)
informou que o número de integrantes que deixam os cargos ainda pode aumentar.
O Carf é responsável por julgar, em segunda instância, processos ligados a
situações tributárias e aduaneiras. As renúncias podem paralisar o julgamento
de recursos que estão na pauta da entidade.
"Tal decisão visa apoiar as diversas ações de mesma
natureza que estão ocorrendo em todas as regiões fiscais no âmbito da Receita
Federal do Brasil, e visa engrossar o número de auditores fiscais e analistas
tributários que, cientes de suas responsabilidades e da complexidade de suas
atribuições, assim como dos crescentes resultados positivos decorrentes da
dedicação e qualidade do trabalho realizado, ficam cada vez mais perplexos com
o descaso do governo federal", afirmam os servidores em carta de renúncia
coletiva à presidente do Carf, Adriana Gomes Rêgo.
"Entendemos que a situação atual se mostra incompatível
com o exercício das nossas funções, pelo que solicitamos a dispensa do mandato
que ora desempenhamos e o pedido de dispensa da função de especialista",
completa a carta dos servidores.
Ministério da Economia
O Ministério da Economia disse que não vai comentar a greve.