cnn -04/10/2025 11:18
A proposta de mudanças no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ganhou novo capítulo após o governo federal abrir consulta pública para discutir a retirada da obrigatoriedade de aulas em autoescolas.
A proposta, conduzida pelo Ministério dos Transportes, prevê
que o candidato possa escolher como se preparar para os exames teórico e
prático, contratando um Centro de Formação de Condutores (CFC) ou instrutores
autônomos credenciados.
A minuta da norma, disponível na plataforma Participa +
Brasil, ficará em análise por 30 dias, período em que cidadãos, entidades e
especialistas podem enviar sugestões. Após esse prazo, caberá ao Conselho
Nacional de Trânsito (Contran) avaliar as contribuições e deliberar sobre
a regulamentação final.
Segundo o governo, o objetivo é tornar a CNH mais acessível, reduzindo barreiras financeiras.
Estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas dirijam sem carteira, em parte
devido ao custo elevado, que varia de R$ 3 mil a R$ 4 mil. A expectativa é que
o novo modelo reduza os gastos em até 80%. Porém, o corte acontece com as
autoescolas e não com as taxas diversas para obter a CNH.
Atualmente, o processo exige 45 horas de aulas teóricas e 20
horas práticas em autoescolas. Pela proposta, essas cargas mínimas
deixariam de ser obrigatórias. O candidato ainda precisaria ser aprovado nos
exames, mas poderia definir livremente como se preparar. As aulas práticas
serão opcionais.
Processo de mudança
Segundo o coronel Ricardo do Silva, vice-presidente do
Departamento de Trânsito de Santa Catarina (Detran-SC), a proposta não
representa o fim das autoescolas, mas traz riscos que precisam ser
considerados.
“O que está em andamento é uma consulta pública. Existe
pressão de diversos segmentos para que o texto não avance da forma como está
escrito. Caso se mantenha, pode haver questionamentos judiciais”, afirmou.
Após o término da consulta, as sugestões serão encaminhadas
a uma Câmara Temática do Contran. O órgão interno vai deliberar e
propor a redação final do texto. A mudança será em forma de Resolução.
Nesse ponto que há uma surpresa: o texto entra em vigor imediatamente.
"Não há necessidade de mudança no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Como o processo de
formação de condutores já está regulamentado, a resolução simplesmente atualiza
a matéria, sem alteração legislativa", explica.
Estrutura tecnológica e segurança no trânsito
Um dos pontos da proposta é a digitalização do
processo por meio da Carteira Digital de Trânsito. O sistema permitiria
acompanhamento online do candidato e credenciamento de instrutores autônomos.
No entanto, Ricardo do Silva demonstrou cautela quanto à efetividade do modelo.
"O processo de formação de condutores precisa ser
revisto, mas não dessa maneira. Está se facilitando o processo de formação de
condutores, buscando baixar os custos nesse processo de formação, mas não se
tem a certeza da segurança desse sistema, de como isso vai efetivamente
funcionar", questiona o vice-presidente do Detran-SC.
Segundo o coronel, os Detrans não foram ouvidos na
formulação inicial da proposta. Em novembro, durante encontro nacional em
Gramado (RS), os órgãos estaduais devem debater o tema e encaminhar uma posição
conjunta à Secretaria Nacional de Trânsito.
"A forma ao qual está sendo disposto o tem vai
causar, obviamente, bastante prejuízo pela atividade do Centro de Formação de
Condutores. E também não temos a segurança de que essa nova
formatação fará com que o trânsito no país seja um trânsito mais
seguro", afirma.
Embora a minuta retire a obrigatoriedade das aulas, os CFCs
continuam autorizados a oferecer cursos presenciais e a distância, podendo
disputar espaço com instrutores independentes. Para atuar, esses profissionais
terão que ser credenciados pelos Detrans, passar por capacitação digital e
cumprir requisitos de segurança definidos pela Senatran.