r7 -05/05/2022 07:50
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (4) um
projeto de lei que institui um piso
salarial nacional para os profissionais da enfermagem.
A proposta define que enfermeiros, uma das categorias
incluídas, terão de receber um salário mínimo inicial de R$ 4.750, a ser pago
em todo o país por serviços de saúde públicos e privados. A proposta define que
a remuneração mínima de técnicos de enfermagem será 70% do piso nacional dos
enfermeiros (R$ 3.325), enquanto o salário inicial de auxiliares de enfermagem
e parteiras corresponderá a 50% do piso dos enfermeiros (R$ 2.375).
A matéria tinha recebido o aval do Senado em novembro do ano
passado. Durante a votação entre os deputados, a redação não sofreu alterações.
Apesar da aprovação no Congresso, muitos parlamentares questionaram o fato de a
matéria não prever quais fontes bancarão o pagamento do piso. Dessa forma,
ficou definido que o projeto seguirá para sanção do presidente Jair Bolsonaro
(PL) apenas quando o parlamento esclarecer quais recursos vão viabilizar o
piso.
O piso terá de ser corrigido anualmente com base no INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Ainda segundo o projeto,
profissionais que já ganham acima dele terão seus salários mantidos,
independentemente da jornada de trabalho para a qual tenham sido contratados.
Ausência de fonte de custeio
O projeto de lei não especifica de onde sairão os recursos
para bancar a iniciativa, que deve pressionar os cofres públicos. Segundo
estimativa apresentada por um grupo de trabalho criado pela Câmara para
analisar a proposta, o piso dos profissionais da enfermagem pode gerar um
impacto financeiro de ao menos R$ 16,3 bilhões. O Ministério da Saúde diz que a
medida trará despesas extras de R$ 22,5 bilhões a R$ 42 bilhões, incluindo os
setores público e privado.
Relatora do texto na Câmara, a deputada Carmen Zanotto
(Cidadania-SC) não incluiu as fontes de custeio do piso no projeto para evitar
que a proposta voltasse ao Senado e, assim, adiasse a conclusão da análise da
matéria pelo Congresso.
No parecer final sobre o projeto, a parlamentar diz que “já
tramitam nas duas Casas diversas propostas que ampliam receitas ou desoneram
encargos” para reforçar as transferências a estados e municípios.
Contudo, segundo ela, “como [as propostas] não dizem respeito diretamente à
fixação do piso salarial, serão tratadas em propostas independentes”.
Dentre as alternativas para bancar o piso, há um projeto de
lei de autoria da própria deputada que sugere o uso do fundo eleitoral em anos
em que não houver eleições para o pagamento dos salários aos profissionais da
enfermagem.
Também são cogitadas como possíveis fontes de compensação a
desoneração da folha de pagamento do setor e o refinanciamento de impostos
devidos para filantrópicas, mas ainda não está claro como será a compensação
para os hospitais públicos.
Outra fonte de recursos em estudo é a destinação de uma
parcela da arrecadação com a regulamentação dos jogos de azar, mas o texto
ainda não foi aprovado pelo Senado. Além disso, há a possibilidade de destinar
para o setor 3,5% da tributação com a exploração mineral, proposta que também
enfrenta resistências.
Líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros
(PP-PR) disse que Bolsonaro tem total interesse em sancionar o projeto. Dessa
forma, ele garantiu que o governo vai se empenhar na aprovação de propostas que
apresentem alternativas para o custeio do piso.
“Neste exato momento, o projeto não atende à Lei de
Responsabilidade Fiscal e não pode ser sancionado, mas fica aqui [registrada] a
disposição do governo de fazer todos os esforços, como tem feito até agora,
para encontrar essas fontes”, afirmou.
“A enfermagem tem a sua vitória, mas nós vamos continuando
buscando [as fontes]. E vocês terão 100% de apoio do governo, do Ministério da
Economia, de todos os esforços possíveis, e do Congresso Nacional”,
acrescentou.