cnn -01/06/2026 08:04
O candidato de direita Abelardo De La Espriella surpreendeu
a Colômbia no domingo (31) ao obter a maioria dos votos no primeiro turno,
deixando o candidato do governo, Iván Cepeda, em segundo lugar. Cepeda rejeitou
os resultados preliminares e pediu que se aguarde o anúncio oficial das
comissões eleitorais.
De la Espriella, advogado e empresário independente, obteve 43,74% com mais
de 10 milhões de votos, segundo os resultados divulgados pelo Registo, quase
três pontos à frente de Cepeda (40,9%), que até há algumas semanas era o grande
favorito e cuja campanha chegou mesmo a considerar a possibilidade de vencer na
primeira volta como bastante próxima.
Diante dessa decepção, primeiro o presidente Gustavo Petro e depois o próprio Cepeda
questionaram a contagem preliminar, sem apresentar provas, e pediram que se
aguardasse o pronunciamento das comissões de juízes responsáveis pelo
escrutínio vinculativo.
De la Espriella, falando para uma multidão em Barranquilla,
disse que não permitiria "que a vontade do povo fosse roubada" e
afirmou: "Vamos defender a democracia pela razão ou pela força".
O segundo turno acontecerá no dia 21 de junho. O líder da
direita recebeu rapidamente o apoio de Paloma Valencia, do Centro Democrático,
e do fundador desse partido, o ex-presidente Álvaro Uribe, depois de o partido
ter obtido apenas 6,9%, um número que, se alcançado na íntegra por De la
Espriella, o levaria a ultrapassar os 50%.
Em seu discurso de vitória no primeiro turno, De la
Espriella também pediu que os Estados Unidos e outros países democráticos
monitorassem o segundo turno das eleições. Durante sua campanha, o candidato
demonstrou proximidade com o governo de Donald Trump, que não interferiu no
processo eleitoral.
Sua proposta de reduzir o tamanho do Estado o alinha a
outros líderes da região, como Daniel Noboa, do Equador, Javier Milei, da
Argentina, e José Antonio Kast, do Chile.
A este respeito, Cepeda criticou Noboa no domingo por
realizar, em sua opinião, "uma intervenção vulgar, aberta e descarada" no
processo eleitoral, após o presidente equatoriano anunciar a suspensão das
tarifas em uma videoconferência com De la Espriella.
Além disso, ele afirmou que seu rival no segundo turno
"representa um retorno ao passado" e "a extrema-direita
fascista".
Após um dia de eleições que transcorreu sem grandes
incidentos em um país marcado pela violência armada, surgiu uma controvérsia no
cenário político.
Com um panorama talvez ainda mais polarizado do que o
previsto, duas propostas opostas se preparam para três semanas de campanha em
busca dos poucos votos que podem ser decisivos.