r7 -07/05/2022 17:25
O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar os recentes
lucros registrados pela Petrobras e pediu que a empresa não conceda
novos reajustes nos valores dos combustíveis. Segundo o chefe do Executivo, o
Brasil pode não aguentar uma nova alta de preços. Durante visita à 23ª Feira
Nacional da Soja, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, ele pediu sensibilidade
por parte da Petrobras, mas lamentou que alguns "nichos" espalhados
pelo país estejam interessados apenas nos resultados da companhia.
"Esta semana, vocês estão conhecendo um pouco mais do
que é a Petrobras aqui no Brasil. Temos nichos ainda, em nosso governo,
espalhados por todo o Brasil, que não entenderam que todos nós estamos no mesmo
barco. Eles sabem que o Brasil não aguenta mais um reajuste de combustível em
uma empresa que fatura dezenas de bilhões de reais por ano às custas do nosso
povo brasileiro", queixou-se o presidente neste sábado (7).
Na última quinta-feira (5), Bolsonaro fez duras declarações
contra a Petrobras, afirmando que o lucro obtido pela empresa no primeiro
trimestre de 2022 foi
"um estupro" e "um absurdo". Entre janeiro e março
deste ano, a petroleira apresentou um lucro líquido de R$ 44,5 bilhões, alta de
3.718% em relação ao mesmo intervalo de 2021, quando os ganhos foram de R$ 1,1
bilhão.
O presidente disse não entender como a Petrobras, mesmo
conseguindo esse desempenho, segue aumentando os preços dos combustíveis. De
acordo com ele, considerando a atual margem de lucro, a empresa teria
capacidade de aguentar um longo período sem promover novos reajustes.
Política da empresa é criticada por Bolsonaro
Para definir o preço dos combustíveis, a Petrobras segue a
chamada PPI (política de paridade internacional), estratégia que faz com que o
preço da gasolina, do etanol e do óleo diesel acompanhe a variação do valor do
barril de petróleo no mercado internacional, bem como a do dólar.
A política de preços da Petrobras é constantemente criticada
pelo presidente Jair Bolsonaro, que já declarou publicamente que gostaria de
uma revisão desse mecanismo.
Desde o ano passado, a Petrobras fez 17 reajustes no preço
da gasolina e 13 no preço do diesel por causa da PPI. Durante esse período, a
gasolina ficou mais cara 12 vezes, e o diesel, dez. As altas mais recentes
foram anunciadas em março, quando a estatal aumentou o preço da gasolina em 18%
e o do diesel em 25%.
Em 2021, segundo levantamento da ANP (Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço médio da gasolina comum subiu
44,3% e o do diesel, 44,6% nos postos de combustíveis do país.
Atualmente, de acordo com a ANP, o preço
médio do litro da gasolina comum se mantém acima de R$ 7 em 20
capitais brasileiras. Segundo a agência, o valor atingiu o maior patamar das
últimas quatro semanas: R$ 7,29.