r7 -08/05/2022 09:54
Os últimos combatentes entrincheirados em Mariupol, na
Ucrânia, temem um ataque final neste domingo (8), véspera da comemoração em
Moscou da vitória contra a Alemanha nazista, enquanto a ofensiva russa se
intensifica no leste ucraniano, com sessenta pessoas desaparecidas no
bombardeio de uma escola. Essas pessoas se refugiavam na região de Lugansk, no
leste da Ucrânia, informou o governador regional, Sergei Gaïdaï.
O vilarejo de "Bilogorivka sofreu um ataque aéreo. As
bombas atingiram a escola e, infelizmente, foi completamente destruída",
disse o governador em sua conta no Telegram. "Havia um total de 90
pessoas. 27 foram salvas (...) Sessenta pessoas que estavam na escola
provavelmente estão mortas", apontou.
Ofensiva continua
"O inimigo não cessa as operações ofensivas na zona
operacional do leste para estabelecer o controle total sobre o território das
regiões de Donetsk, Lugansk e Kherson, e para manter o corredor terrestre entre
esses territórios e a Crimeia ocupada" desde 2014, informou o Estado-Maior
ucraniano na manhã deste domingo.
A mesma fonte afirmou que na região de Donetsk, as tropas
russas continuam suas operações ofensivas em torno de Lyman, Popasnyansky,
Severodonetsk e Avdiivka. E que a situação está "tensa" do lado da
Moldávia.
Do lado russo, o ministério da Defesa reivindicou a
destruição do "posto de comando de uma brigada mecanizada" na região
de Kharkiv (leste), bem como "do centro de comunicação do aeródromo
militar de Chervonoglinskoy, perto da aldeia de Artsyz."
Além disso, a defesa aérea destruiu "mais dois
bombardeiros Su-24 ucranianos e um helicóptero Mi-24 da Força Aérea ucraniana
sobre a Ilha da Cobra, e um veículo aéreo não tripulado Bayraktar-TB2 foi
abatido perto da cidade de Odessa", segundo a mesma fonte.
Ataques podem se intensificar
As autoridades ucranianas vêm alertando há vários dias sobre
uma possível intensificação dos ataques russos à medida que a comemoração de 9
de maio se aproxima.
O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, deve participar
de uma reunião virtual dos líderes do G7 neste domingo. Esta terceira reunião
desde o início do ano será dedicada à situação na Ucrânia.
O presidente dos EUA, Joe Biden, havia mencionado essa
reunião alguns dias antes, bem como sobre possíveis sanções adicionais contra a
Rússia.
"Estamos sempre abertos a sanções adicionais",
disse ele na quarta-feira (4), acrescentando que discutirá com os membros do G7
"o que faremos e o que não faremos".
Em Mariupol, depois de muitos apelos e tentativas, nas
últimas semanas, "retiramos os civis de Azovstal", afirmou o
presidente Zelenski na noite de sábado (7), citando que 300 pessoas foram
retiradas até o momento. "Estamos agora preparando a segunda fase, (...)
os feridos e o pessoal médico."
Moscou anunciou na quarta-feira um cessar-fogo unilateral de
três dias a partir da quinta para permitir a saída de civis em Azovstal. Mas as
autoridades ucranianas denunciaram que os russos continuaram atacando a
siderúrgica durante este período.
"A ordem do presidente (ucraniano) foi cumprida: todas
as mulheres, crianças e idosos foram retirados de Azovstal", anunciou a
vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, no sábado.
Apoio da ONU e Cruz Vermelha
Segundo Kiev, essas operações permitiram que um total de
quase 500 pessoas fugissem em uma semana, sob mediação da ONU e do Comitê
Internacional da Cruz Vermelha.
E, "claro, também estamos trabalhando para retirar
nossos soldados. Todos os heróis que defendem Mariupol", continuou o
presidente, sem citar números.
A Ucrânia pediu aos Médicos Sem Fronteiras (MSF), na noite
de sábado (7), para organizar uma missão para retirar e tratar os soldados
entrincheirados na siderúrgica.
Segundo Yevgenia Tytarenko, enfermeira militar, cujo marido,
médico e membro do regimento Azov, e seus colegas ainda ocupam a fábrica,
"muitos soldados estão em estado grave. Estão feridos e não têm
remédios".
"Vou lutar até o fim", escreveu seu marido
Mykhaïlo, em um SMS que a AFP visualizou. Eles se casaram dois dias antes da
invasão russa.
“Nossas unidades na área da usina de Azovstal continuam
bloqueadas”, observou o Estado-Maior ucraniano, referindo-se às “operações de
assalto russas” com “o apoio da artilharia e do fogo de tanques”.
Mariupol quase apagada do mapa
Mariupol, uma cidade portuária no sudeste que tinha quase
500.000 habitantes antes da guerra, foi quase completamente apagada do mapa por
dois meses de bombardeios russos.
O presidente russo, Vladimir Putin, garantiu neste domingo
que "como em 1945, a vitória será nossa", multiplicando as
comparações entre a Segunda Guerra Mundial e o conflito na Ucrânia.
Putin, que pensa que não pode "se permitir perder"
na Ucrânia, está "convencido de que redobrar seus esforços lhe permitirá
progredir", estimou no sábado Bill Burns, diretor da agência de
inteligência americana CIA.
Não há, no entanto, "evidências concretas" de que
a Rússia, que colocou suas forças de dissuasão em alerta máximo logo após o
início de sua intervenção militar, "se prepara para um desdobramento ou
mesmo uso potencial de armas nucleares táticas" neste conflito, destacou.
Os russos obtiveram entre sexta e sábado ganhos territoriais
limitados em torno de Severodonetsk, uma das principais localidades do Donbass
ainda nas mãos dos ucranianos, mas que não deve levar a um cerco completo,
observou no sábado o Instituto Americano de Estudos de Guerra (ISW).
Até agora, a Rússia só conseguiu reivindicar o controle
total de uma grande cidade, Kherson.
Contra-ofensiva
Em Kharkiv, a contra-ofensiva ucraniana para colocar a
segunda maior cidade da Ucrânia fora do alcance da artilharia inimiga ganhou
força, com a captura de várias posições russas, novamente de acordo com o ISW.
“As forças ucranianas estão recuperando terreno ao longo de
um amplo arco em torno de Kharkiv e já não se concentram num impulso limitado,
demonstrando uma capacidade de lançar operações ofensivas em maior escala”,
explicou o instituto.
Tanto que o exército russo teve que explodir três pontes
rodoviárias "para desacelerar a contra-ofensiva" nesta região,
segundo o ministério da Defesa ucraniano.
A Marinha ucraniana, por sua vez, alegou ter destruído a cem
quilômetros de Odessa, não muito longe da Ilha da Cobra, o navio de desembarque
russo Serna usando um drone de combate desenvolvido na Turquia. Informação não
confirmada pela Rússia, que declarou, por outro lado, ter afundado "o
barco de assalto ucraniano 'Stanislav'".