cnn -21/05/2026 00:35
A
Polícia Federal rejeitou nesta quarta-feira (20) o pedido de delação do
ex-banqueiro Daniel
Vorcaro. O ex-dono do Banco Master está preso desde 4 de março por fraudes
financeiras. Por ora, as negociações seguem com a PGR (Procuradoria-Geral da
República).
O motivo da rejeição, segundo fontes que acompanham as
negociações, é que a PF entendeu que Vorcaro não entregou novidades em relação
ao que os investigadores acumularam até agora.
A defesa do ex-banqueiro, porém, seguirá em negociação com a
Procuradoria-Geral da República, que sinalizou em reunião com advogados de
Vorcaro na tarde desta quarta-feira (20), em Brasília, o interesse em
prosseguir com a colaboração premiada.
Três pontos têm sido essenciais no processos de negociação.
Primeiro, os valores a serem ressarcidos por Vorcaro, algo no entorno de R$
50 bilhões. Outro, a extensão do cumprimento da pena. O ex-banqueiro tem pedido
para cumprir pena domiciliar pelo menos até o julgamento. E, por fim,
o alcance político da colaboração.
Fontes ligadas às negociações apontam haver até agora
potencial material para que ele entregue autoridades do Congresso Nacional e do
STF (Supremo Tribunal Federal), mas temem que as ligações do procurador-geral
da República Paulo Gonet e do advogado José de Oliveira Lima com
ministros da Corte travem essa possibilidade.
A CNN havia informado no dia 13 de maio que a prioridade para Vorcaro era fechar um acordo com a PGR e não
com a PF.
Na segunda-feira (18), Vorcaro já tinha sido transferido
para uma cela comum dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
O movimento foi visto como mais uma prova do descontentamento da corporação com
a delação de Vorcaro, que tem deixado nomes e episódios importantes de fora das
informações negociadas até então.
No início de maio, a equipe jurídica de Vorcaro entregou uma
primeira proposta de colaboração premiada à PF e à PGR. Os investigadores,
entretanto, ficaram frustrados com os relatos, que avaliaram como seletivos e
que pouco contribuíam para as investigações.
Um dos episódios recentes que levou a PF e a PGR a essa
conclusão foi o envolvimento do senador Ciro Nogueira com Vorcaro.
De acordo com as investigações da corporação, o presidente do PP (Partido
Progressista) recebeu "vantagens indevidas" do antigo dono do Master,
algo que até então não tinha sido mencionado pelo ex-banqueiro.
Ciro teria apresentado uma emenda com objetivo de ampliar a
cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
De acordo com investigadores, o instrumento teria sido elaborado com participação
de integrantes do Banco Master.
Outro fator que pesou contra Vorcaro foi a omissão do seu
envolvimento com Flávio Bolsonaro (PL). Na última semana, o Intercept
Brasil publicou mensagens, documentos e um áudio que mostram o senador e
pré-candidato à Presidência negociando um repasse do ex-banqueiro no valor de R$ 134 milhões para
financiar o filme "Dark Horse".
Pelo menos R$ 61 milhões do montante negociado entre Flávio
e Vorcaro já teriam sido transferidos para o parlamentar. Na terça-feira (19),
o senador admitiu ter se encontrado com o ex-banqueiro em dezembro de 2025,
depois que o dono do Master já estava em prisão domiciliar. Vorcaro,
entretanto, não tinha revelado o pagamento nem o encontro à PF ou à PGR.