metropoles -14/05/2026 16:35
O empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, passou por exame de corpo de delito nesta quinta-feira (14/5) após ser preso na sexta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Segundo apurou a coluna, ele será encaminhado ao Centro de Remanejamento Gameleira em Minas Gerais após audiência de custódia.
Também permanecerá preso no estado Rodrigo Pimenta Franco,
apontado nas investigações como hacker ligado ao grupo investigado pela PF.
A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro André
Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura crimes de corrupção,
lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos, organização
criminosa e violação de sigilo funcional.
Na decisão, Mendonça reproduziu diálogos atribuídos a
Henrique Vorcaro e ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva,
apontado pela investigação como integrante do núcleo chamado “A Turma”.
Segundo a PF, o grupo funcionava como uma estrutura
clandestina voltada à proteção dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco
Master, envolvendo monitoramento, obtenção de informações sigilosas e
intimidação de adversários.
O despacho afirma que as mensagens encontradas no celular de
Marilson indicam que Henrique “permaneceu solicitando serviços ilícitos e
providenciando recursos para a manutenção do grupo”.
Em um dos trechos reproduzidos na decisão, Marilson cobra
pagamentos e afirma estar “segurando uma manada de búfalo”. Henrique responde
que receberia recursos “na quinta ou sexta-feira” e enviaria “imediatamente”
“400”. Segundo a decisão, Marilson rebate dizendo que o ideal seria “800k”.
Outro trecho citado pelo ministro trata da suposta divisão
mensal de valores entre integrantes da estrutura investigada.
“Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra
eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais
dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido
entre os meninos e a turma”, diz a mensagem atribuída a Marilson Roseno.
Segundo André Mendonça, os diálogos “evidenciam uma relação
estável de troca: Henrique financiava o grupo e, em contrapartida, utilizava-se
de seus serviços ilícitos”.
A decisão também aponta que as conversas entre Henrique e
Marilson teriam sido apagadas do aparelho do policial aposentado. A PF afirma
ainda ter identificado troca frequente de números telefônicos e uso de linha
estrangeira registrada na Colômbia.
Outro trecho da investigação menciona que Marilson teria
acionado policiais para obter informações sobre apurações envolvendo Henrique
Vorcaro.
Segundo o despacho, o policial aposentado enviou mensagem
afirmando que “um parceiro vai encontrar comigo aqui e vai trazer uma sucinta
aqui”, anexando uma imagem de intimação direcionada ao pai do banqueiro.
A decisão do STF também menciona uma reunião reservada
realizada em março de 2026. De acordo com o documento, a PF concluiu, a partir
de mensagens, registros telefônicos e monitoramento externo, que participaram
do encontro Marilson Roseno, Felipe Mourão, Henrique Vorcaro, Sebastião
Monteiro e Manoel Mendes.
A defesa de Henrique Vorcaro nega irregularidades.