noticias ao minuto -12/09/2026 12:28
Autoridades forenses do estado de Chihuahua, no norte do México, autorizaram o sepultamento de 117 corpos que ainda não foram identificados ou reclamados por familiares. Com a nova medida, chega a 560 o número de pessoas nessas condições enterradas durante o atual governo estadual.
Os restos mortais são de pessoas que morreram entre 2019 e
2025. Apesar do sepultamento em covas individuais, as autoridades consideram
que o procedimento pode ser temporário, já que o objetivo continua sendo
identificar cada pessoa e entregar os restos mortais às respectivas famílias.
Héctor Manuel Jacob Hernández, coordenador de Ciências
Forenses dos Serviços Periciais da Zona Norte, explicou à agência EFE que uma
série de exames é realizada antes da autorização para o sepultamento.
O procedimento busca preservar informações que possam
permitir uma identificação no futuro.
"A decisão de proceder ao enterro é tomada, em primeiro
lugar, por questões de saúde e para evitar sobrelotações desnecessárias",
afirmou.
Segundo Hernández, os corpos só são liberados para
sepultamento depois da realização dos exames forenses, da coleta de dados post
mortem e do avanço das investigações relacionadas a cada caso.
Corpos não identificados são desafio em Chihuahua
O elevado número de corpos sem identificação evidencia um
problema persistente em Chihuahua, estado mexicano que faz fronteira com os
Estados Unidos e possui intensa circulação de pessoas.
A região também está inserida nas principais rotas
migratórias utilizadas por pessoas que tentam chegar aos Estados Unidos.
Segundo Hernández, entre os corpos ainda não identificados podem estar migrantes
estrangeiros e cidadãos de outros estados do México.
O sepultamento dos 117 corpos permitirá reduzir a quantidade
de restos mortais mantidos sob custódia das instalações forenses.
Apesar da transferência para cemitérios, cada caso permanece
vinculado a uma investigação. Isso significa que uma identificação pode ocorrer
mesmo anos depois do sepultamento.
"O fato de os trazermos para cá é uma forma digna de
tratá-los, dar-lhes um destino temporário, se não for o destino final, porque o
destino final é junto das famílias", explicou Hernández.
Corpos podem ser exumados após identificação
Cada corpo é sepultado em uma cova individual, devidamente
registrada pelas autoridades. O sistema permite localizar e exumar os restos
mortais caso a identidade da pessoa seja descoberta posteriormente.
Com isso, informações obtidas por meio de exames genéticos,
odontológicos, antropológicos ou de outras análises forenses podem ser
comparadas futuramente com dados de pessoas desaparecidas e de seus familiares.
O tempo que um corpo permanece sob custódia dos serviços
forenses antes do sepultamento varia conforme o andamento de cada investigação.
Para as autoridades de Chihuahua, o enterro não encerra os
trabalhos de identificação. A expectativa é que o avanço das investigações e
novas informações permitam, no futuro, devolver parte desses restos mortais às
famílias.