metropoles -12/03/2026 21:55
Moraes proíbe assessor de Trump de visitar Jair Bolsonaro na
prisão
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal,
reformou a decisão que havia autorizado a visita de Darren Beattie, assessor
sênior do Departamento de Estado do governo de Donald Trump, ao ex-presidente
Jair Bolsonaro na prisão.
A mudança ocorre após Moraes receber do Itamaraty a
informação de que Beattie não tem agenda diplomática no Brasil e que seu visto
de entrada foi concedido apenas para um compromisso privado.
“Dessa maneira, o visto a Darren Beattie, para ingressar no
território brasileiro, foi concedido tão somente após pedido formalizado por
meio da nota verbal 170, com fundamento na sua anunciada participação no ‘Fórum
Brasil-EUA de Minerais Críticos’ (‘US-Brazil Forum on Critical Minerals’), não
havendo qualquer destinação vinculada à visita a JAIR MESSIAS BOLSONARO no
Sistema Penitenciário brasileiro, conforme também destacado pelo MRE”, escreveu
o ministro na decisão à qual a coluna teve acesso.
Ou seja, “o processamento e a concessão do visto ocorreram
exclusivamente com base na justificativa apresentada pelo Departamento de
Estado dos Estados Unidos da América”.
“Diante do exposto, nos termos do artigo 4º, IV, da
Constituição Federal e dos artigos 21 e 341 do Regimento Interno do STF,
RECONSIDERO a decisão anterior (eDoc. 671) e INDEFIRO A VISITA requerida pela
defesa de JAIR MESSIAS BOLSONARO”, conclui Moraes.
Quem é o assessor de Donald Trump
Darren Beattie é um escritor conservador, com formação em
ciência política. No primeiro mandato de Trump, era um dos responsáveis por
escrever os discursos do republicano. Desde fevereiro, é o responsável pela
política do Departamento de Estado para o Brasil — ele foi nomeado no
Departamento em outubro passado.
Apesar disso, Beattie já exercia influência sobre a política
do governo Trump para o Brasil desde o começo do atual mandato do republicano,
em janeiro de 2025.
Como mostrou a coluna nesta quinta (12), Beattie é um dos
principais envolvidos nas discussões dentro da administração Trump
sobre a possibilidade de voltar a sancionar Alexandre de Moraes na Lei
Magnitsky.