metropoles -14/01/2026 14:35
A Polícia Federal (PF) identificou “novos ilícitos” e decidiu aprofundar a investigação contra o Banco Master, o que deu origem à segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14/1). A ampliação da ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a PF informar à Corte que surgiram elementos adicionais indicando a continuidade de práticas suspeitas por parte do controlador da instituição, Daniel Vorcaro.
Em despacho que autorizou as novas medidas, o ministro Dias
Toffoli, relator do caso, registrou que a Polícia Federal apontou a
existência de “novos ilícitos”, o que justificaria a coleta de provas
complementares.
Segundo a decisão, os indícios indicam possível gestão
fraudulenta, além de lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Fundos da Faria Lima entram no radar
O foco central desta nova etapa é apurar se o Banco Master
utilizou fundos de investimento ligados ao mercado da Faria Lima para realizar
operações financeiras fraudulentas, inflar artificialmente ativos e desviar
recursos.
Entre os investigados, estão o empresário Nelson Tanure e o
ex-presidente da gestora Reag Investimentos João Carlos Mansur, que já havia
sido alvo de apurações anteriores envolvendo o uso de fundos para ocultação
patrimonial.
Família de Vorcaro também é investigada
As diligências desta fase atingiram diretamente o círculo
familiar de Vorcaro.
Mandados de busca foram cumpridos em endereços ligados ao
pai, à irmã e ao cunhado do banqueiro. Um dos episódios mais sensíveis ocorreu
no Aeroporto de Guarulhos (SP), em que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi
detido ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai. Ele acabou
liberado posteriormente.
Ao todo, a operação cumpre 42 mandados de busca e apreensão
em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Por
decisão do STF, também houve bloqueio e sequestro de bens e valores que superam
R$ 5,7 bilhões.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, a PF apreendeu
R$ 97 mil em espécie, além de carros de luxo, relógios de alto valor e uma arma
de fogo, material que será periciado e analisado no contexto das investigações
financeiras.
Defesa de Vorcaro
Em nota, a defesa do dono do Master “informa que tomou
conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem
colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as
medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com
total transparência”.
“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar
esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no
esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A
defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos
para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites
constitucionais.”
Contexto da investigação
Daniel Vorcaro já havia sido preso na primeira fase da
Compliance Zero, em novembro, quando tentava deixar o país em um avião
particular. Ele foi solto posteriormente e passou a usar tornozeleira
eletrônica. Desde então, segundo a PF, a análise do material apreendido revelou
novas operações suspeitas, o que levou à ampliação do inquérito.
As investigações apuram crimes como organização criminosa,
gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem
de capitais. A apuração ocorre em meio a uma crise institucional envolvendo o
Banco Central e o Tribunal de Contas da União, após a decretação da liquidação
extrajudicial do Banco Master.
Procurada, a defesa de Vorcaro afirmou que ele segue
colaborando com as autoridades e que todas as medidas judiciais estão sendo
cumpridas.