noticias ao minuto -08/06/2026 22:20
Israel e Irã indicaram nesta segunda-feira (8) disposição
para conter a escalada militar que enterrou o cessar-fogo no fim de semana e
reacendeu o risco de uma retomada do conflito em larga escala no Oriente Médio.
O aparente recuo ocorreu após o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, exigir publicamente que os dois países interrompessem os
ataques e afirmar que um acordo para encerrar o conflito continua ao alcance.
"Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente", escreveu o
republicano na rede Truth Social.
Em outro post anterior, Trump disse as negociações estão
avançando, embora "sujeitas à ignorância ou estupidez que atrapalham o
caminho". Os confrontos elevaram os preços do petróleo no mercado
internacional e aumentaram a pressão sobre o presidente americano, que enfrenta
cobranças internas para colocar fim à guerra.
Logo após o post de Trump, o comando das Forças Armadas do
Irã anunciou o fim dos ataques contra Israel, mas advertiu que responderá com
medidas "muito mais duras e contundentes" caso os bombardeios
israelenses no Líbano sejam retomados.
Na mesma linha, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian,
afirmou que Teerã continua comprometido com a via diplomática, mas
acrescentando que o país "não recuará diante de qualquer ameaça".
"Não abandonamos nem o campo de batalha nem a mesa de negociações",
escreveu ele na rede X.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã,
Esmaeil Baghaei, declarou que Teerã está trocando mensagens com Washington em
um ambiente de "extrema desconfiança".
Tel Aviv não se pronunciou de maneira oficial sobre as novas
declarações. Segundo oficiais israelenses ouvidos pelo jornal The New York
Times e pela agência Reuters, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ordenou a
suspensão dos preparativos para um novo ataque ao Irã após pressão de Trump.
Mais cedo nesta segunda, Israel atingiu uma usina
petroquímica no sudoeste do Irã que, segundo Tel Aviv, era utilizada para
produzir mísseis balísticos. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou
ter retaliado com um ataque contra uma instalação semelhante na cidade
israelense de Haifa.
Segundo autoridades israelenses, o Irã disparou cerca de 30
mísseis balísticos desde domingo (7). Jerusalém amanheceu nesta segunda sob
alertas de ataques aéreos e sons de explosões. O Estado judeu determinou o
fechamento das escolas em todo o país, enquanto o Exército informou permanecer
em "alerta elevado".
Explosões também foram ouvidas em Teerã nesta segunda. A
agência semioficial Mehr informou que as defesas aéreas iranianas derrubaram um
drone sobre a capital. Não houve relatos imediatos de vítimas ou danos. De
acordo com informações da agência iraniana Tasnim, os aeroportos iranianos
estão com voos suspensos até novo aviso.
A recente troca de ataques ocorreu após bombardeios israelenses
contra redutos do Hezbollah, apoiado pelo Irã, em Beirute durante o fim de
semana. Teerã retaliou, lançando um ataque com mísseis contra Israel. O país
persa tem afirmado repetidamente que qualquer acordo com Washington para
encerrar o conflito deve incluir a interrupção da campanha militar israelense
no Líbano.
Ignorando um primeiro pedido de Trump para evitar uma
escalada, Israel respondeu lançando novos ataques contra várias cidades
iranianas, incluindo Teerã. Um oficial militar israelense afirmou nesta
segunda-feira que o país está preparado para diferentes cenários no Irã, desde
alguns dias até "o tempo que for necessário".
Ele acrescentou que Tel Aviv atingiu sistemas de defesa
aérea iranianos que estavam sendo reconstruídos após ataques anteriores, além
da usina petroquímica.
Um membro das forças militares iranianas citado pela agência
de notícias Tasnim disse que Teerã está preparado para um conflito prolongado
com Israel e para novos ataques contra interesses dos EUA na região.
Israel nunca interrompeu sua campanha militar no Líbano, que
já matou milhares de pessoas e deslocou centenas de milhares, argumentando que
a questão deve ser tratada separadamente de qualquer cessar-fogo com o Irã. O
Hezbollah, por sua vez, afirma que não entregará suas armas enquanto Israel não
encerrar suas operações e se retirar do território libanês.
O embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, afirmou nesta
segunda-feira que as negociações entre libaneses e israelenses deverão ser
retomadas em Washington.
Em mais um fator de instabilidade, os houthis do Iêmen,
aliados do Irã, anunciaram a proibição da navegação de embarcações israelenses
pelo mar Vermelho e reivindicaram o primeiro ataque com mísseis contra Israel
desde o cessar-fogo de abril. Segundo militares israelenses, além dos
lançamentos iranianos, dois mísseis foram disparados a partir do Iêmen nas
últimas horas.