folhapress -06/03/2026 09:20
Embora a Petrobras ainda não tenha anunciado reajustes, os preços dos combustíveis no país já começam a ser impactados pela guerra no Irã. Distribuidoras e a maior refinaria privada brasileira começaram a repassar a alta de custos aos clientes.
As distribuidoras dizem que a escalada das cotações
internacionais do produto encareceu as importações e vêm elevando os preços de
venda aos postos. Com mercado concentrado no Nordeste, a refinaria de Mataripe
promoveu dois reajustes no diesel e um na gasolina após o início do conflito.
A reportagem apurou que postos de ao menos quatro estados
-Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná- estão pagando mais caros
pelos combustíveis e, como consequência, subirão o preço ao consumidor final.
Sindicatos de revendedores evitam falar em valores, mas um
dono de postos na capital paulista disse que tem recebido diesel R$ 0,26 por
litro mais caro desde o início da semana. O Paranapetro, que representa os
postos do Paraná, fala em "alta expressiva".
"As atacadistas argumentam que também adquirem o
derivado de importadoras", disse em nota o sindicato de postos do Rio de
Janeiro. "Estas, segundo as companhias, já estão aumentando os preços em
razão da guerra em curso no Oriente Médio", completa.
Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a
Ipiranga diz que, "devido à escalada dos eventos externos que acarretaram
em alta nos preços do petróleo e derivados, informamos que haverá reajuste no
diesel e na gasolina a partir de 4 de março".
Em nota enviada à reportagem, a Ipiranga diz que os custos
do setor de combustíveis são influenciados por diversos fatores.
"No caso do diesel, por exemplo, uma dessas influências
é que cerca de 30% do volume consumido no país é importado", afirmou.
"Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de
mercado e pode realizar ajustes comerciais".
"As distribuidoras costumam repassar as altas com
grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam
na íntegra", questionou o Paranapetro. Raízen e Vibra, as outras duas
grandes empresas do setor, não quiseram comentar o assunto.
A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de
Combustíveis) alertou nesta quinta que as defasagens dos preços dos
combustíveis em relação ao mercado internacional atingiram níveis recordes e
defendeu repasses ao consumidor interno.
Na abertura do mercado, o preço do diesel nas refinarias
brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de
importação medida pela entidade. No caso da gasolina, a diferença era de R$
0,42 por litro em média no mercado e de R$ 0,47 por litro nas refinarias da
Petrobras.
"O acompanhamento dos preços dos combustíveis no
mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para
mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos
existentes na cadeia de suprimentos", afirmou.
A Petrobras diz que segue avaliando o cenário e que só
promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos
patamares. Nesta quinta, o petróleo segue em alta. Por volta das 15h, a cotação
do Brent subia cerca de 4% e se aproximava dos US$ 85 por barril.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e
Biocombustíveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do
combustível no país em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das
importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.