noticias ao minuto -01/12/2025 09:09
A morte de Gerson de Melo Machado, 19 anos, após invadir o recinto da leoa Leona no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, ganhou novas dimensões depois de um forte desabafo publicado nas redes sociais pela conselheira tutelar Verônica Oliveira. Nas palavras dela, a tragédia “foi construída ao longo de anos de negligência”. Segundo Verônica, que acompanhou o caso de Gerson por quase uma década, “todo o poder público falhou com ele e com a família”.
No vídeo que circula pelas redes sociais, a conselheira
afirma que Gerson foi afastado da mãe ainda na infância. A mulher, segundo
Verônica, tinha esquizofrenia, a mesma condição diagnosticada na avó materna. A
conselheira contou que conheceu o menino aos 10 anos, quando ele chegou ao
Conselho Tutelar após fugir sozinho de um abrigo e caminhar pela beira de uma
estrada. Enquanto os quatro irmãos foram adotados, Gerson não encontrou uma
família. “Começou ali uma saga para ele ser acolhido. Ele foi rejeitado
repetidamente”, disse Verônica.
A conselheira relatou que ele só recebeu diagnóstico formal
de deficiência intelectual, transtorno de conduta e esquizofrenia em 2023. O
laudo, segundo ela, recomendava “tratamento multidisciplinar em regime
integral”, algo que nunca chegou. Verônica também recordou o sonho fixo do
jovem: ser domador de leões e viajar para a África. “Ele chegou a ser
encontrado no trem de pouso de um avião, achando que ia para a África”, disse.
No dia do ataque, Verônica acredita que Gerson estava em
surto. Segundo ela, ele “não tinha noção do risco”. A prefeitura de João Pessoa
informou que o jovem escalou uma parede de mais de seis metros, passou pelas
grades de segurança e alcançou o recinto usando uma árvore como apoio.
Visitantes registraram a cena em vídeo. Nas imagens, Gerson aparece descendo
pela árvore até ser alcançado pela leoa, que o atacou rapidamente. Ele morreu
no local por choque hemorrágico causado por ferimentos no pescoço.
A prefeitura classificou o episódio como um ato
“imprevisível”. A Polícia Civil investiga a possibilidade de suicídio. O parque
foi fechado temporariamente após o ataque.
Depois da invasão, Leona ficou estressada, mas foi retirada
sem o uso de tranquilizantes. A equipe técnica afirma que o animal apenas
reagiu de forma instintiva. A direção do parque garantiu que “não existe
hipótese de sacrifício”, e que a leoa segue monitorada.
Para Verônica, porém, o episódio deve ser visto como
resultado de um abandono prolongado. Em seu desabafo, ela afirma que Gerson
“nunca teve o acompanhamento de saúde mental que precisava” e que a morte dele
“não começou na jaula, começou anos atrás, quando ele foi sendo deixado de
lado, uma vez após a outra”.