Rev. Hernandes Dias Lopes -06/11/2022 12:58
“Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando,
porém, domina o perverso, o povo suspira” (Pv 29.2).
Este provérbio do rei Salomão estampa diante dos nossos
olhos dois quadros, dois cenários, duas realidades e duas consequências
inevitáveis. Há dois tipos de governança. O domínio do justo e o domínio do
perverso. Quando o justo governa, a influência de sua administração motiva
muitos outros a serem justos também. Porém, quando domina o perverso, só cabe
ao povo suspirar e gemer.
Como esses dois tipos de governantes ascendem ao poder? No
sistema monárquico de Israel o rei assumia o trono pelo critério de
hereditariedade. Mas, com a morte de Salomão, no ano 931 a.C., o Reino foi
dividido. No reino do Norte, vários reis foram mortos, vítimas de conspiração e
os rebeldes assumiram o poder. No reino do Norte, num período de duzentos e
nove anos, ascenderam ao trono dezenove reis, oriundos de oito diferentes
dinastias. No reino de Judá, porém, todos os reis procediam da dinastia de
Davi. Reis bons e maus alternaram no poder. Quando governava um rei temente a
Deus, que defendia os valores de Deus, a nação se alegrava e tinha
prosperidade. Quando um rei mau assumia o trono, o povo amargava vergonhosas
derrotas.
Vivemos num país democrático, onde o povo escolhe seus
representantes tanto do poder legislativo como do poder executivo. A
responsabilidade de bem escolher os legisladores e governantes da nação cabe a
nós. O voto é nosso passaporte para o choro ou para a alegria, para a ordem ou
para a desordem, para a liberdade ou para opressão, para a valorização da vida
ou para a cultura da morte, para o respeito à propriedade privada ou para a
invasão de propriedade alheia, para a sacralidade do sexo ou para a perversão
dele. Nosso voto é um alto privilégio e uma grande responsabilidade. Não
podemos ser neutros. Seremos corresponsáveis com os destinos da nação.
Colheremos a safra da semeadura do nosso voto.
Votar em alguém é delegar a essa pessoa o direito de nos
representar. É afirmar que concordamos com sua ideologia, que aprovamos as suas
pautas, que apoiamos as suas propostas. Antes de dar o nosso voto precisamos
examinar, com cuidado, a vida do candidato, sua ideologia, seus aliados e os
valores que defende. Não podemos apoiar o que reprovamos. Não podemos negar
nossa fé nem renunciar nossas convicções ao depositar nosso voto na urna. Não
podemos aprovar o que Deus reprova. Por isso, votar é um ato de extrema
responsabilidade não apenas diante dos homens, mas, também, diante de Deus.
Um governante temente a Deus faz florescer os justos; um
governante perverso faz o povo gemer e suspirar. O mapa das nações escancara
essas duas realidades diante dos nossos olhos. Nas nações sob regimes
totalitários, socialistas e comunistas o povo é cerceado de sua liberdade e não
pode expressar livremente a sua fé. O Estado controla a comunicação e
encabresta as consciências. Nesses regimes, o Estado se torna grande e o povo
pequeno; o Estado se torna poderoso e o povo fraco; o Estado se torna uma
divindade e o povo em seu súdito.
Que Deus ilumine nossos concidadãos nesse pleito. Que Ele
tenha misericórdia da nação brasileira, nessa importante e decisiva escolha de
seus governantes. Que nosso voto multiplique justos, bem-aventurados e não
oprimidos, cobertos de suspiros e lágrimas.