folhapress -28/04/2026 18:51
O Exército de Israel emitiu nesta terça-feira (28) um novo
alerta de evacuação para 16 cidades e vilarejos no sul do Líbano. O comunicado
ordena que os moradores desses locais deixem imediatamente suas casas e se
dirijam à região de Sidon.
Tel Aviv justificou os ataques contra o país vizinho por a
uma suposta violação do cessar-fogo pelo grupo Hezbollah -acusação recorrente
de ambos lados na guerra. Além disso, o Exército libanês afirmou que um ataque
de Israel durante uma operação de resgate em Majdal Zoun feriu dois soldados
das suas forças.
A ofensiva ocorre um dia após o ministro da Defesa de
Israel, Israel Katz, afirmar que o Hezbollah "está brincando com
fogo" e arrastará o Líbano para uma catástrofe. "Naim Qassem [líder
do grupo armado] está brincando com fogo, e esse fogo queimará o Hezbollah e
todo o Líbano", disse Katz.
"Se o governo libanês continuar se abrigando sob a
proteção da organização terrorista Hezbollah, um incêndio eclodirá e queimará
os cedros do Líbano."
Apesar da trégua, Israel diz reservar-se o direito de agir
contra "ataques planejados, iminentes ou em andamento". O Exército
israelense realizou ataques repetidos no Líbano desde que o cessar-fogo entrou
em vigor, em 17 de abril, e ocupou parrte do território sul.
Moradores libaneses foram alertados a não retornar a suas
casas, enquanto tropas permanecem posicionadas em uma faixa de 5 a 10 km ao
longo de toda a fronteira do Líbano.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar,
afirmou nesta terça que o país não pretende tomar o controle de território.
"Israel não tem ambições territoriais no Líbano. Nossa presença nas áreas
vizinhas à nossa fronteira norte tem apenas um propósito: proteger nossos
cidadãos", declarou.
Já Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirma ter "direito de resistir" à
ocupação.
O Itamaraty confirmou que dois brasileiros, uma mãe e seu
filho, foram mortos em ataques de Israel no Líbano ocorridos no domingo (26).
Segundo o governo libanês, o número total de mortos no país durante o conflito
chegou a 2.521, com mais de 7.800 feridos.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, defende negociações
diretas com Israel para pôr fim à ofensiva israelense, enquanto o Hezbollah se
opõe às conversas. Aoun afirmou que o objetivo das negociações é interromper os
ataques israelenses, retirar as tropas do país e posicionar tropas libanesas ao
longo da fronteira.
A invasão terrestre israelense no sul do Líbano impediu que
moradores retornassem às suas casas em cerca de 55 vilarejos, segundo a
organização Médicos Sem Fronteiras, que condenou a destruição e demolição de
cidades inteiras por Tel Aviv.
O Líbano foi arrastado para o conflito após o Hezbollah
atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O país persa, por sua vez, havia
sido atacado por Washington e Tel Aviv em 28 de março, o que desencadeou um
conflito que se espalhou pelo Oriente Médio.
O cessar-fogo no Líbano foi negociado separadamente das
tentativas de Washington de resolver o conflito com Teerã, embora o Irã tenha
defendido a inclusão do país árabe em uma trégua mais ampla enquanto negocia
acordo para encerrar a guerra com os EUA.