"Achavam que era história de pescador", brinca homem que filmou anaconda

Por g1 - 09/10/2019 10:56

Mesmo sem soltar veneno ou ter casos documentados de ataques a seres humanos, a sucuri - popularmente conhecida como anaconda - rende susto por onde passa. Com a chance de chegar a 11 metros de comprimento, ela pode gerar de 20 a 80 filhotes de uma só vez e é comumente encontrada na Amazônia. É o caso da que foi filmada por um pescador em Apuí, no Sul do Amazonas há poucos dias.

Além do registro em vídeo feito na última semana, o pescador Laudelino Fernandes, de 51 anos, conta que já se deparou com outras anacondas gigantes. "Inúmeras vezes", faz questão de destacar ao comentar com orgulho o vídeo que fez.

Presidente da colônia dos pescadores, Lau conta que, recentemente, retirou de um balneário - com as próprias mãos - uma sucuri de aproximadamente seis metros. Em outra ocasião, em uma área de pasto, Fernandes e um grupo de pessoas encontraram outra sucuri com cerca de 11 metros de comprimento.

"Eu nem me assustei não. A gente sabe que elas vez ou outra aparecem, é só não mexer. Essa aí nem é a maior que já vimos. Quando vi, quis filmar, porque é difícil de acreditarem quando a gente conta que cruzou com uma cobra de nove metros por aí, né? Acham que é história de pescador... Na próxima a gente vai até tirar foto junto", planeja, bem-humorado.

Como vivem? Do que se alimentam?

Na Amazônia Brasileira existem 189 espécies de cobras e a maioria não oferece risco aos seres humanos.

Especialista em biodiversidade e conservação de serpentes amazônicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a bióloga Luciana Frazão explica que a sucuri - especificamente - possui dentição aglifa, ou seja, não apresenta dentes específicos para soltar veneno. Mas uma mordida, alerta, pode causar problemas de saúde.

"Apesar de elas não serem peçonhentas, ela mordem – no caso das sucuris. E a mordida de um bicho desse grande, assim como a mordida de um cachorro, também pode causar infecção, por causa das bactérias que estão presentes dentro da boca do animal (...) Caso ela morda, o que tem que fazer é lavar o local da picada com água e sabão", disse.

Para capturar suas presas, a sucuri utiliza os músculos do próprio corpo e realiza a chamada constrição, método de imobilização que espreme a presa até afetar o fluxo sanguíneo e diminuí-la. Por conta disso, Luciana reforça a importância de manter distância do animal.

"O corpo de uma sucuri é praticamente feito só de músculos. Então, se por algum evento ou acidente esse animal entrar em combate com um ser humano, é provável que ele cause dano. A melhor forma de agir quando encontrar um animal desse, dentro do seu habitat - como foi o caso do vídeo -, é manter uma distância segura".

"As pessoas costumam ter medo desses animais e por isso acabam matando ou tentam se aproximar para machucar. E nisso pode causar algum acidente", completa a especialista.

Serpentes pela Amazônia

Em sua pesquisa de doutorado, a bióloga estimou a distribuição potencial de serpentes em toda a Amazônia. Ao todo, foram identificados 350 registros documentados - com localização geográfica e imagens - de sucuri. O número demonstra que as aparições são comuns na região do Apuí, no Sul do Amazonas.

De acordo com a bióloga, o tamanho médio de uma sucuri adulta é de quatro a oito metros, mas há registros documentados de que o animal pode chegar a até dez metros de comprimento. Elas vivem por mais de 30 anos e inicia o período de acasalamento, geralmente, entre os meses de outubro e novembro. Os filhotes de sucuri nascem em meados de maio e são completamente independentes da mãe.