r7 -01/01/2022 12:55
Pelo menos 12 pessoas morreram e 13 ficaram feridas em um
tumulto, na madrugada deste sábado (1º), em um santuário religioso na Caxemira
controlada pela Índia, informou uma autoridade local.
A debandada ocorreu por volta das 3h da madrugada de
sexta-feira (31), na estrada para o santuário Mata Vaishno Devi, um dos
locais hindus mais reverenciados do norte da Índia.
"As pessoas tropeçavam umas nas outras. Era difícil
saber que perna ou braço estava emaranhado com quem", contou uma
testemunha.
"Ajudei a recolher oito corpos quando a ambulância
chegou, cerca de meia hora depois. Sinto-me sortudo por estar vivo, mas ainda
tremo quando me lembro do que vi", acrescentou.
Existem milhares de santuários nas cidades e vilarejos da
Índia, principalmente hindus, bem como em lugares remotos do Himalaia ou nas
selvas do sul.
Alguns são locais de peregrinação importantes e o governo
nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi investiu pesadamente para
melhorar as infraestruturas de acesso.
Antes da pandemia de covid-19, 100 mil devotos percorriam o
caminho íngreme para a caverna estreita que abriga o santuário Vaishno Devi.
O número foi reduzido para 25 mil, mas testemunhas e meios
de comunicação indicaram que esse número teria sido ultrapassado várias vezes
na tragédia deste sábado.
Segundo algumas versões, uma discussão entre dois fiéis
ocorreu antes da debandada.
Os esforços de resgate começaram imediatamente e os feridos,
alguns deles em estado crítico, foram transferidos para hospitais vizinhos.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram pequenas
ambulâncias chegando a hospitais enquanto ainda era noite.
O santuário, que fica aberto 24 horas por dia, está
localizado nas colinas de Katra, a cerca de 60 km da cidade de Jammu.
O acesso ao local foi suspenso após a debandada, embora
tenha sido reaberto posteriormente.
As pessoas costumam viajar para a cidade vizinha de Katra e
caminham 15 km até a entrada da caverna, onde geralmente precisam esperar horas
para entrar. Algumas pessoas vão a cavalo e também existe um serviço de
helicóptero.
A testemunha Ravinder disse que a tragédia ocorreu em um
ponto onde uma multidão que descia do santuário encontrou os que subiam.
Ele calculou que havia pelo menos 100 mil pessoas.
"Não havia ninguém revisando os documentos de registro
dos fiéis. Já estive lá várias vezes, mas nunca vi aquele aglomerado de
pessoas", assegurou.
"Foi quando alguns conseguiram levantar um cadáver com
as mãos que as pessoas puderam ver (o que estava acontecendo) e abriram espaço
para retirar os corpos", disse ele.
"Extremamente triste com a perda de vidas",
expressou no Twitter o primeiro-ministro Modi, acrescentando que estava em
contato com as autoridades locais.
Por sua vez, o ministro Jitendra Singh anunciou que iria ao
local para avaliar a situação.