noticias ao minuto -15/05/2026 22:02
As mudanças bruscas de temperatura que têm ocorrido em
grande parte do Brasil nos últimos dias podem aumentar de maneira significativa
os casos de rinite e sinusite.
De acordo com o Dr. Miguel Tepedino, ex-presidente da
Academia Brasileira de Rinologia (ABR) e membro da Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), as condições
climáticas, típicas dessa época do ano, comprometem o funcionamento natural do
nariz. Ele explica que o nariz funciona como um “filtro de ar”, mas, para o bom
funcionamento, depende de umidade e temperatura adequadas. “Quando o ar
está frio e seco, a mucosa resseca, os cílios ficam mais lentos e a secreção se
torna mais espessa, reduzindo a capacidade de eliminar partículas e vírus. Além
disso, a maior permanência em ambientes fechados favorece a concentração de
ácaros e a circulação de vírus respiratórios, que aumentam tanto as crises
alérgicas quanto as infecções.”
Diferenças
A rinite é uma inflamação limitada à mucosa nasal,
geralmente relacionada a alergias, embora também possa ser causada por infecções.
Já a sinusite, corresponde à inflamação de um ou mais seios paranasais e, a
rinossinusite, por sua vez, ocorre quando há inflamação tanto dos seios
paranasais quanto das fossas nasais. “A rinossinusite não envolve apenas o
nariz, mas também os seios da face, caracterizando um quadro inflamatório mais
amplo, com sintomas como obstrução nasal, secreção, congestão e pressão facial”,
revela o Dr.Tepedino, ao comentar que mais que os sintomas isolados, o padrão
de evolução é o principal alerta para a pessoa procurar auxilio médico.
Ele conta que a avaliação profissional é recomendada quando
os sintomas persistirem por mais de uma semana; quando há dor facial intensa,
especialmente de um lado, quando existe febre alta e a secreção nasal se torna
mais espessa e persistente; e quando há piora após a melhora inicial. “Esses
sinais podem indicar que não se trata de um resfriado comum.”
Atente-se!
Segundo o otorrinolaringologista, entre os fatores que mais
desencadeiam crises estão os ácaros domésticos, principal fator em áreas
urbanas; poeira e mofo; poluição; mudanças bruscas de temperatura; odores
irritantes, como perfumes e produtos de limpeza; e infecções virais. Em pessoas
com rinite alérgica, o sistema imunológico reage de maneira exagerada, mantendo
a inflamação da mucosa nasal. “Não existe uma solução única de prevenção,
mas sim um conjunto de cuidados que fazem a diferença, como reduzir ácaros em
colchões, travesseiros e tecidos; manter os ambientes ventilados e com luz
natural; controlar a umidade para evitar o mofo; evitar o acúmulo de poeira e
reduzir o uso de produtos muito perfumados”, diz.
Bastante comum, a lavagem nasal com soro fisiológico é uma
medida segura e eficaz que previne e alivia os sintomas. De acordo com o
especialista, ela pode ser feita diariamente, principalmente em períodos
críticos. “Esse procedimento atua de forma mecânica, removendo secreções,
partículas e mediadores inflamatórios. No entanto, é importante utilizar a
solução adequada, evitando pressão excessiva e mantendo os dispositivos
limpos.”
Dr, Tepedino também chama a atenção para alguns equívocos
frequentemente cometidos, que podem prorrogar o ciclo de inflamação, como o uso
repetido de descongestionantes para alívio imediato; a utilização de
antibióticos sem indicação médica; a interrupção precoce do tratamento e não
levar a sério os sintomas persistentes. “É importante ressaltar que embora
os descongestionantes ofereçam o alívio rápido, eles não tratam a causa e o uso
contínuo, por mais de três a cinco dias, pode causar o efeito rebote, com a
piora da obstrução nasal e até mesmo a dependência funcional”, explica, ao
afirmar que a maioria das rinossinusites é viral e melhora de maneira
espontânea, sendo que o uso de antibióticos, sempre com orientação médica, deve
ser restrito a casos específicos, como sintomas por mais de dez dias; piora
após melhora inicial; dor facial persistente com secreção espessa.