noticias ao minuto -03/08/2026 22:46
O El Niño tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, cenário que amplia o risco de inundações, secas, ondas de calor e incêndios florestais no Brasil, segundo boletim elaborado por sete órgãos federais.
O fenômeno deve se intensificar ao longo do segundo semestre
de 2026. As projeções indicam que o El Niño permanecerá ativo pelo menos até o
início de 2027 e poderá apresentar anomalias de temperatura superiores a 2°C
nas águas superficiais do Pacífico Equatorial entre a primavera e o começo do
verão.
A previsão para o trimestre de agosto a outubro aponta
chuvas acima da média no Sul e abaixo da média em grande parte do centro-norte
do país. As temperaturas devem ficar acima do normal em praticamente todo o
território nacional, favorecendo episódios de calor extremo, baixa umidade e
queimadas.
O boletim é resultado de uma ação conjunta de sete
instituições federais. Participam o Instituto Nacional de Meteorologia, o
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Agência Nacional de Águas e
Saneamento Básico, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres
Naturais, o Serviço Geológico do Brasil, a Secretaria Nacional de Proteção e
Defesa Civil e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da
Amazônia.
Embora se forme no Oceano Pacífico, o El Niño altera a
circulação atmosférica e a distribuição das chuvas em diferentes partes do
planeta. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região e podem ser
influenciados por outros sistemas meteorológicos.
A intensidade do El Niño não determina, sozinha, a gravidade
dos efeitos no Brasil. O painel ressalta que a distribuição e a dimensão dos
impactos dependerão da evolução das condições atmosféricas e oceânicas durante
os próximos meses.
O principal risco para a região Sul é a ocorrência de
grandes inundações. Diferentemente do cenário registrado no começo do El Niño
de 2023, a região praticamente não apresenta déficit hídrico a ser reposto, o
que aumenta a possibilidade de cheias diante de novos períodos de chuva
intensa.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul poderão registrar vazões
entre a média e acima da média em agosto. A projeção indica maior risco de
cheias nos dois estados.
O número de municípios em situação de seca severa aumentou
de 38 para 55. O dado parcial considera o trimestre de maio a julho e
representa uma piora em comparação com o período imediatamente anterior, de
abril a junho.
A situação ainda é menos grave do que a observada no início
do El Niño de 2023. Naquele momento, 239 municípios enfrentavam seca severa e
outros dez estavam sob seca extrema.
O Nordeste começa o atual fenômeno em situação mais
desfavorável do que em 2023. A seca moderada alcançava cerca de 40% da região
em junho deste ano, ante 10% no mesmo mês de 2023, com possíveis efeitos sobre
o abastecimento, a agricultura e a disponibilidade de água para a pecuária.
Na região Norte, a estiagem está em desenvolvimento, mas a
maioria dos rios ainda apresenta níveis próximos da normalidade. Sem reposição
significativa das chuvas, porém, os níveis e as vazões poderão apresentar
quedas mais intensas nas próximas semanas, comprometendo diferentes usos da
água.
A bacia do rio Paraguai, no Centro-Oeste, apresenta a
situação hidrológica mais crítica do país. Predominam condições de seca severa
a extrema, agravadas por sucessivos déficits de água acumulados ao longo da
última década.
No Sudeste, 76% da região estava sob algum nível de seca em
junho. O percentual é superior ao registrado no mesmo período de 2023, e o
quadro poderá se agravar rapidamente caso a próxima estação chuvosa atrase ou
tenha volumes insuficientes.
O risco de fogo deve aumentar principalmente no Centro-Oeste
e no Norte entre agosto e outubro. As áreas classificadas como de alerta alto
avançam sobretudo sobre Mato Grosso e grande parte da região amazônica.
Tocantins, Pará, Maranhão e Mato Grosso estão entre os
estados com perspectiva de queimadas intensas. O alerta também abrange a região
formada por partes do Amazonas, Acre e Rondônia.
O tempo seco poderá favorecer a colheita do milho de segunda
safra e do algodão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Centro-Oeste, a
previsão também é favorável à colheita do sorgo e das lavouras mais tardias. Em
contrapartida, a falta de chuva e as temperaturas elevadas podem aumentar a
demanda por irrigação, prejudicar pastagens e dificultar a preparação da
próxima safra.
No Sul, a maior disponibilidade de água pode beneficiar as
culturas de inverno e o plantio de milho e soja. Chuvas persistentes ou muito
volumosas, porém, aumentam o risco de doenças provocadas por fungos, atrasos na
colheita e replantio em áreas atingidas.
Estados e municípios foram orientados a revisar seus planos
de contingência. O boletim recomenda reforçar o monitoramento, a comunicação de
riscos e a preparação das equipes de resposta, com prioridade para áreas e
populações mais vulneráveis.
A população deve acompanhar os alertas oficiais e conhecer
os locais seguros e as rotas de fuga da região onde vive. A Defesa Civil também
recomenda manter atualizado o cadastro para o recebimento de avisos sobre
eventos extremos.