cnn -03/04/2026 17:45
A trajetória de voo da Artemis II inclui regiões da órbita da Terra carregadas de radiação mortal — incluindo os cinturões de Van Allen, onde os níveis de radiação são particularmente altos porque partículas energéticas ficam presas na magnetosfera da Terra.
Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa,
e o astronauta da Agência Espacial Canadense, Jeremy Hansen — estão dentro da
cápsula Orion.
A nave espacial dos astronautas é projetada para protegê-los
da maior parte do perigo, mas eles precisam procurar abrigo se uma repentina
explosão de atividade solar lançar radiação em sua direção.
A radiação é uma preocupação tão grande que cada astronauta
recebe um limite vitalício de exposição. Ao longo desta missão de 10 dias, Koch, Glover, Hansen e Wiseman
consumirão 5% de seus limites vitalícios.
Para efeito de comparação, seria necessário passar um mês
inteiro na Estação Espacial Internacional, que fica a apenas algumas centenas
de quilômetros acima da Terra, para atingir o mesmo nível.
Esses limites são importantes, disse a Dra. Tarah
Castleberry, professora associada de medicina aeroespacial da Universidade do Texas Medical
Branch e médica de voo que apoia os esforços do programa Artemis, porque
ultrapassá-los significa "aumento do risco de doenças cardíacas, declínio
cognitivo e de desempenho a longo prazo, caso a pessoa tenha uma alta exposição
total à radiação ao longo da vida".
Um dos motivos pelos quais a exposição à radiação é tão alta
para a tripulação da Artemis II: os astronautas passarão um pouco mais de tempo
viajando pelos cinturões de Van Allen do que seus antecessores da Apollo, pois
entrarão em uma longa órbita ao redor da Terra antes mesmo de irem à Lua.
Caso ocorram fenômenos climáticos espaciais, os astronautas
também terão a bordo um abrigo contra radiação e um sistema de alerta em tempo
real que emitirá um alarme se precisarem tomar alguma providência.
A missão
Com duração estimada de dez dias, a Artemis II seguirá uma
trajetória em forma de “oito”, contornando o lado oculto da Lua. Após duas
órbitas iniciais ao redor da Terra, a nave será impulsionada em direção ao
satélite natural em uma trajetória de livre retorno, na qual a gravidade lunar
garantirá o caminho de volta sem a necessidade de manobras complexas.
A tripulação passará os primeiros um ou dois dias em órbita
terrestre alta realizando extensas verificações de sistemas. Isso inclui testar
os sistemas de suporte à vida, propulsão, navegação e comunicação da Orion para
garantir que a espaçonave esteja pronta para seguir para o espaço profundo.
No ponto de maior aproximação, os astronautas poderão
observar a Lua em um tamanho aparente semelhante ao de uma bola de
basquete vista à distância de um braço. A missão não prevê pouso na
superfície lunar. O principal objetivo é testar, pela primeira vez com
humanos a bordo, os sistemas da espaçonave Orion, como suporte à vida, navegação,
comunicação e o desempenho do escudo térmico durante a reentrada na atmosfera
terrestre.