noticias ao minuto -10/04/2026 23:26
A recente confirmação da primeira morte do ano por picada de escorpião evidencia uma ameaça que avança de forma silenciosa em diversas regiões do Brasil, especialmente nas áreas urbanas. De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o número de casos de picadas de escorpião quase triplicou entre 2014 e 2023, com mais de 1,1 milhão de registros. As projeções apontam que, até 2033, esse número pode ultrapassar a marca de 2 milhões de casos notificados, mostrando um cenário desafiador em relação ao controle do animal, e de medidas de prevenção e conscientização.
Diante desse crescimento expressivo, é fundamental que a
população saiba como agir corretamente em caso de acidente. A infectologista
Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, explica que o primeiro passo é
manter a calma e lavar o local da picada com água e sabão. “Não se deve fazer
torniquete, amarrar o membro afetado nem tentar chupar o veneno, como muitas
vezes é divulgado de forma equivocada. Isso pode piorar a situação. O ideal, se
for fazer alguma compressa, é que seja uma compressa morna, que ajuda a aliviar
a dor”, orienta.
A especialista destaca que toda picada de escorpião deve ser
tratada como uma emergência em potencial, mas alguns sinais indicam a
necessidade urgente de atendimento médico, com risco de morte elevado
principalmente para crianças, idosos e pessoas com comorbidades cardíacas.
Dor intensa no local da picada
Suor excessivo
Náuseas e vômitos
Aumento da frequência cardíaca
Agitação ou sonolência
A recomendação é sempre procurar imediatamente um serviço de
saúde. “No caso das crianças, esse atendimento deve ser ainda mais rápido. Em
situações graves, o soro precisa ser administrado em até uma hora e meia. Aqui
em São Paulo, o principal centro de referência é o Instituto Butantan,
reconhecido mundialmente, e o Hospital Vital Brazil, que faz parte dessa rede e
é especializado no atendimento de vítimas de animais peçonhentos”, afirma a
médica.
Segundo o Ministério da Saúde, a presença de escorpiões está
relacionada, principalmente, ao acúmulo de entulho, restos de materiais de
construção e presença de insetos como baratas, que servem de alimento para
esses animais. O órgão indica que medidas simples de prevenção podem fazer
diferença, como: manter terrenos limpos e sem acúmulo de lixo, vedação de ralos
e frestas em portas e janelas e uso de telas em aberturas e cuidados com
calçados e roupas guardadas.