metropoles -23/11/2025 15:50
Após um longo período de estiagem, é necessário ter atenção especial com as primeiras precipitações. Quando se passa muito tempo sem chover em uma localidade, a concentração de poluentes acumulados na atmosfera aumenta e os primeiros pingos agem como “limpadores” das impurezas no ar. Por isso, as chuvas iniciais podem conter poluentes químicos, metais pesados e agentes infecciosos em maior concentração.
“A chuva é o principal mecanismo natural de limpeza da
atmosfera. As gotas capturam e carregam partículas de poluição, literalmente
lavando o ar. Quando ficamos muito tempo sem chuva, essas partículas se
acumulam”, exemplifica o professor de ciências atmosféricas Micael Cecchini, da
Universidade de São Paulo (USP), apoiado pelo Instituto Serrapilheira.
A chuva ácida ocorre principalmente em áreas acometidas
pela poluição urbana e industrial. Em regiões rurais, ela pode
ocorrer quando há a presença de indústrias.
O fenômeno acontece quando partículas poluentes — como
óxidos de enxofre e óxidos de nitrogênio — são emitidas e se misturam com a
água, formando ácidos, como o sulfúrico e o nitroso. A reação reduz o pH da
água, tornando a chuva mais ácida.
O que não fazer durante e após as primeiras chuvas
Evite contato com enxurradas, poças e áreas alagadas.
Não utilize água da chuva para consumo ou higiene
sem tratamento adequado.
Lave as mãos com água limpa e sabão após qualquer
exposição à chuva.
Evite atividades recreativas na chuva, mesmo que ela
não esteja forte.
Em casos de enchentes, use luvas e botas ao
realizar a limpeza posteriormente.
Monitore sintomas após exposição: febre, diarreia,
vômitos, tosse, irritações na pele ou lesões cutâneas.
Esteja atento ao comportamento das crianças, que
acabam brincando com a água acumulada sem proteção.
Procure avaliação médica se surgir qualquer
sintoma.
Riscos das chuvas ácidas para a saúde
“Há evidências científicas mostrando que as primeiras chuvas
e as enchentes urbanas apresentam altos índices de patógenos, incluindo
bactérias e vírus. O contato com essa água está associado ao aumento de
infecções gastrointestinais, respiratórias e dermatológicas”, ressalta o médico
epidemiologista William Schwartz, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
Ao contrário do que muitas pessoas podem imaginar, os
problemas não acontecem apenas em países com infraestrutura precária, mas
também em regiões com alta renda e que investem na parte industrial, poluindo o
ar e deixando a chuva mais ácida.
Alguns grupos de pessoas são mais vulneráveis aos efeitos
das chuvas ácidas, entre eles estão: Pessoas com doenças respiratórias como
asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e bronquite;
Crianças;
Idosos;
Imunossuprimidos;
Pessoas com doenças crônicas;
Populações em situação de vulnerabilidade social.
“Nesses casos, é ideal permanecer em ambientes internos,
evitando atividade física intensa ao ar livre em dias de chuvas intensas,
tempestades e grande variação de umidade. Também é importante monitorar
constantemente a qualidade do ar”, alerta Schwartz.