cnn -21/01/2026 22:41
Em muitas bacias hidrográficas e aquíferos, o uso de água a longo prazo ultrapassou as entradas renováveis e os limites seguros de consumo, de acordo com o relatório divulgado pela UNU
De acordo com um relatório emitido pela UNU (United Nations University), divulgado na terça-feira (20), o planeta Terra entrou em estado de "falência global da água." Para os pesquisadores, isso significa que o uso de água a longo prazo ultrapassou as entradas renováveis e os limites seguros de consumo.
“Este relatório revela uma verdade incômoda: muitas
regiões estão vivendo além de sua capacidade hídrica, e muitos sistemas de
água essenciais já estão falidos”, afirma o autor principal, Kaveh Madani,
diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações
Unidas ( UNU-INWEH ), conhecido como “O Centro de Estudos da ONU sobre Água”.
Segundo o órgão, o estudo convida os líderes mundiais a
facilitar uma "adaptação honesta e baseada na ciência a uma nova
realidade", em meio ao esgotamento crônico das águas subterrâneas, à
superalocação de água, à degradação do solo e da terra, ao desmatamento e à
poluição; fatores que são agravados pelo aquecimento global.
As zonas úmidas foram eliminadas em escala continental e parte do capital hídrico e natural — de rios, lagos, aquíferos, zonas úmidas, solos e geleiras — foram danificadas além do limite, o que exclui as perspectivas de recuperação total desses recursos.
Em termos financeiros, o relatório afirma que muitas
sociedades não só ultrapassaram os limites da seu "rendimento" anual
de água renovável proveniente de rios, solos e neve, como também esgotaram as
"reservas" de longo prazo em aquíferos, geleiras, zonas húmidas e
outros reservatórios naturais.
A pesquisa revela que a água subterrânea fornece atualmente
cerca de 50% do uso doméstico global de água e mais de 40% da água utilizada na
irrigação, ligando diretamente a segurança da água potável e a produção de
alimentos a aquíferos em rápida depleção.
Cerca de 70% dos principais aquíferos do mundo apresentam
tendências de declínio a longo prazo. A extração excessiva de águas
subterrâneas já contribuiu para uma subsidência significativa do solo em mais
de 6 milhões de quilômetros quadrados — quase 5% da área terrestre global.
Aproximadamente 70% das retiradas globais de água doce
são destinadas à agricultura. Cerca de 3 bilhões de pessoas e mais da
metade da produção mundial de alimentos estão localizadas em áreas onde o
armazenamento total de água já está em declínio ou é instável.
De acordo com Madani, “milhões de agricultores estão
tentando produzir mais alimentos com fontes de água cada vez menores, poluídas
ou que estão desaparecendo. Sem uma transição rápida para uma agricultura
inteligente em relação à água, a crise hídrica se espalhará rapidamente.”
O estudo do UNU-INWEH (Instituto Universitário das Nações
Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde) reforça ainda que bilhões de pessoas permanecem em insegurança hídrica.
De acordo com os dados, quase três quartos da população
mundial vivem em países classificados como inseguros ou criticamente
inseguros em relação à água.