noticias ao minuto -22/09/2026 10:30
Dor de cabeça intensa, geralmente pulsátil, acompanhada de
náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Para quem convive com
enxaqueca, as crises podem ir muito além de um incômodo passageiro e
comprometer o trabalho, os estudos, os exercícios, o sono e a vida social. O
tema ganhou destaque após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
aprovar, neste mês, o registro do Aquipta (atogepanto), medicamento oral
indicado para a prevenção da doença em adultos com pelo menos quatro episódios
mensais.
A aprovação brasileira prevê seu uso na prevenção das formas
episódica e crônica da doença em adultos com pelo menos quatro episódios
mensais. “Ele bloqueia uma das principais vias bioquímicas envolvidas na
enxaqueca, por meio do receptor do CGRP. É a primeira classe de medicamentos
orais desenvolvida especificamente para a prevenção da doença”, explica o Dr.
Heitor Felipe, médico e professor de Neurologia
da Afya Educação Médica Goiânia e Brasília.
De acordo com o especialista, diferentemente dos
medicamentos destinados a controlar uma crise já instalada, o atogepanto é
utilizado continuamente, com o objetivo de reduzir a frequência dos episódios
ao longo do tratamento
Os estudos clínicos de fase 3 ADVANCE e PROGRESS que
embasaram a aprovação do medicamento pela Anvisa, demonstraram redução
significativa dos dias mensais de enxaqueca em comparação ao placebo, tanto em
pacientes com a forma episódica quanto naqueles com enxaqueca crônica.
A enxaqueca é apenas uma dor
de cabeça??
Cefaleia é o termo médico utilizado para definir a dor de
cabeça e engloba diferentes condições. A enxaqueca, também chamada de migrânea,
é uma delas. “É um dos tipos mais comuns de cefaleia e se caracteriza por dor
de forte intensidade, geralmente pulsátil e que costuma atingir apenas um lado
da cabeça. Também pode vir acompanhada de náuseas e intolerância à luz e ao
barulho”, explica Dr. Marcelo José, médico e professor de Neurologia da
Afya Educação Médica Montes Claros.
Segundo o especialista, a condição também pode apresentar
“aura”, fenômeno que ocorre em cerca de 20% das pessoas e se caracteriza por
sintomas neurológicos transitórios que podem surgir antes ou durante a crise,
como alterações visuais, pontos luminosos, manchas e formigamentos. Antes ou durante
a crise, algumas pessoas podem apresentar aura, caracterizada por alterações
visuais, como pontos luminosos ou manchas, além de formigamentos e outros
sintomas neurológicos transitórios.
Enxaqueca
pode ser confundida com AVC?
Algumas manifestações da enxaqueca com aura podem se
assemelhar às de um acidente vascular cerebral (AVC), principalmente alterações
na visão, dificuldade para falar, dormência ou fraqueza em um lado do corpo. Na
migrânea, esses sintomas costumam surgir gradualmente e desaparecer à medida
que a crise evolui. No AVC, geralmente aparecem de forma súbita e podem
persistir. “Na enxaqueca, os sintomas neurológicos costumam surgir de forma
gradual antes da dor. Já no AVC, aparecem de maneira súbita e tendem a
persistir”, alerta Dr. Marcelo.
O especialista explica que sinais neurológicos súbitos, como
dificuldade para falar, fraqueza ou dormência em uma metade do corpo, exigem
atendimento médico de urgência, mesmo em pessoas com histórico de enxaqueca.
Por que algumas pessoas desenvolvem a doença?
A condição não tem uma causa única. A combinação entre
predisposição genética e fatores ambientais e comportamentais pode aumentar a
suscetibilidade às crises. “A predisposição genética e a história familiar são
importantes e comuns na enxaqueca, mas não são obrigatórias. Pessoas sem
familiares afetados podem desenvolver a doença, enquanto outras com histórico
familiar podem não apresentar o transtorno”, explica Dr.Heitor
Entre os fatores capazes de desencadear ou aumentar a
frequência dos episódios estão privação de sono, jejum, falta de atividade
física e estresse. Alterações hormonais também podem influenciar, especialmente
nas mulheres. A queda dos níveis hormonais que antecede a menstruação, por
exemplo, pode contribuir para o aumento da intensidade das crises em algumas
pacientes.
Estilo de vida pode influenciar?
Embora os gatilhos variem entre os pacientes, manter uma
rotina regular pode ajudar no controle da condição.“Falta de sono adequado, de
alimentação e de exercício físico estão entre os fatores mais frequentes. O
estresse também costuma influenciar”, afirma o Dr.Heitor. De acordo com o
médico, outros possíveis desencadeadores incluem alterações nos horários de
sono, mudanças hormonais, consumo de bebidas alcoólicas, determinados alimentos
e uso ou suspensão de alguns medicamentos.
Saúde
Quando é hora de procurar um neurologista?
Segundo os especialistas, a necessidade de tratamento
preventivo depende de fatores como frequência e intensidade das crises,
sintomas associados, impacto na rotina, histórico clínico e resposta às
terapias utilizadas. Há, porém, situações que exigem investigação médica, como
dores de início súbito e intenso, cefaleias após traumatismo craniano, sintomas
neurológicos, além de casos em pessoas com histórico de câncer ou condições que
comprometem a imunidade.
A chegada de novas terapias amplia as opções disponíveis
para prevenção, mas não significa que o medicamento seja indicado para todos. A
escolha deve ser individualizada pelo médico, considerando as características
de cada paciente, outros medicamentos em uso e possíveis contraindicações. Mais
do que controlar a dor, o tratamento busca reduzir o impacto da doença e
permitir que o paciente retome suas atividades e tenha mais qualidade de vida.