metropoles -04/11/2025 11:32
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nessa
segunda-feira (3/11) que a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan deve
ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) até o fim
de dezembro. A expectativa é que o imunizante comece a ser aplicado em 2026,
após a conclusão do processo de registro.
Segundo o ministro, o órgão regulador está na etapa final de
avaliação dos estudos de qualidade, segurança e eficácia. A fabricação em larga
escala será feita em parceria com a farmacêutica chinesa WuXi Biologics, com
previsão inicial de 40 milhões de doses produzidas no próximo ano.
Dengue
A dengue faz parte do grupo das arboviroses, doenças causadas por vírus transmitidos por insetos vetores, como o mosquito Aedes aegypti.
No Brasil, o principal transmissor é a fêmea do A.
aegypti. Os vírus da dengue (DENV) pertencem à família Flaviviridae e
ao gênero Orthoflavivirus.
Atualmente, são conhecidos quatro sorotipos do vírus – DENV-1,
DENV-2, DENV-3 e DENV-4 – que apresentam diferenças genéticas e linhagens
próprias.
A dengue é uma doença febril aguda, de evolução rápida e
potencialmente grave. Embora a maioria das pessoas se recupere, alguns
casos podem evoluir para formas severas da infecção e levar ao óbito.
A vacina é indicada para pessoas de 2 a 59 anos e deve se
tornar parte do calendário nacional de imunização a partir de 2026. Atualmente,
o Brasil já aplica outro imunizante contra a dengue em adolescentes de 10 a 14
anos, oferecido desde 2024 pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Campanha e situação epidemiológica
O anúncio foi feito durante o lançamento da nova campanha
nacional de combate às arboviroses, que inclui dengue, zika e chikungunya.
Mesmo com a queda de 75% nos casos em 2025 em comparação com o ano anterior, o
Ministério da Saúde alerta que o país segue em situação de atenção.
Atualmente, o Brasil registra 1,6 milhão de casos prováveis de dengue e 1,6 mil
mortes. São Paulo concentra mais da metade das notificações e 64% dos óbitos.
Padilha destacou que o país não pode tratar a morte de mais de mil pessoas por
ano como um cenário aceitável e que a vacina será peça central na estratégia de
controle da dengue.
Novas tecnologias e ações de prevenção
O ministério também anunciou investimento de R$ 183,5
milhões para ampliar o uso de tecnologias voltadas ao controle do
mosquito Aedes aegypti. Uma das principais apostas é o método Wolbachia, que utiliza mosquitos infectados por uma
bactéria que impede a transmissão do vírus.
Atualmente presente em 12 municípios, a técnica será
expandida para 70 cidades até o fim de 2026. Niterói, no Rio de Janeiro, foi a
primeira cidade a atingir 100% de cobertura do método e registrou redução de
89% nos casos de dengue e de 60% nos de chikungunya.
O governo prevê o uso de estações disseminadoras de
larvicidas, borrifação intradomiciliar e técnicas de controle reprodutivo do
mosquito. As ações fazem parte da mobilização para o Dia D da Dengue, marcado
para o próximo sábado (8/11), com o lema “Contra o mosquito, todos do mesmo
lado”.
A parceria com a empresa chinesa WuXi Biologics permitirá ao
Butantan produzir em larga escala a vacina desenvolvida no Brasil. A Anvisa já
certificou as instalações da fábrica na China e o governo espera consolidar o
registro ainda neste ano.