www.msn.com -20/08/2022 09:10
Todas as condições existem: uma guerra na zona do mundo que mais produz trigo, problemas na cadeia de abastecimento ainda derivados da pandemia de covid-19, alterações climáticas que têm prejudicado as colheitas. Especialistas alertam: é muito provável que o mundo esteja prestes a sofrer uma grave crise alimentar.
Guerra na
terra do trigo
A guerra afeta dois dos maiores produtores de trigo do
mundo: A Rússia e a Ucrânia. Existe uma impossibilidade de extrair o cereal da
região, além do fato de a Rússia querer aumentar suas reservas e das sanções
estrangeiras.
Calor
extremo e seca: colheita ruim na Índia
Por sua vez, a Índia, terceiro maior produtor mundial de
trigo, teve colheitas desastrosas devido às temperaturas, extremamente altas,
sofridas em 2022 (mais de 45º durante dias e dias).
Índia não
exportará trigo
De acordo com meios de comunicação como The New York Times,
a Índia decidiu não exportar trigo e assim mantê-lo para consumo próprio. O
objetivo é conter o aumento dos preços dos alimentos e evitar que seus cidadãos
sofram.
Inflação
Atualmente, já é possível ver uma inflação descontrolada em
muitos produtos e em muitas partes do planeta como Europa, Estados Unidos e
Brasil.
Foto: Preet Patel (Unsplash)
A falta
de fertilizantes também atingirá a agricultura
Mas não é só trigo. Conforme explicado em maio de 2022, em
um artigo da National Geographic, também haverá escassez de fertilizantes.
Imagem: Taylor Siebert/Unsplash
Rússia e
Belarus produzem 40% dos fertilizantes potássicos do mundo
Esse elemento fundamental na agricultura vem, em grande
porcentagem, da Rússia (20% dos fertilizantes à base de nitrogênio) e da
Belarus (que com a Rússia produz 40% dos fertilizantes potássicos do mundo).
Ambos países estão sancionados pelos sócios da OTAN e da União Europeia, devido
à guerra na Ucrânia.
Uma crise inevitável
"Não tenho certeza de que seja possível evitar uma
crise alimentar", disse o presidente da Organização Mundial de
Agricultores, o sul-africano Theo de Jager. E acrescentou: "A questão é
larga e profunda".
Imagem: Liz Joseph/Unsplash
O preço
da globalização
Um dos princípios da globalização econômica era realocar:
produzir onde fosse mais barato. No caso dos fertilizantes, por exemplo, isso
levou praticamente a um monopólio da Rússia e da Belarus. Agora, os
agricultores americanos não têm quase nada para fertilizar seus campos.
Imagem: K. Mitch Hodge/Unsplash
Fome
iminente em todo o planeta
A ONU fez uma previsão aterrorizante em maio deste ano:
"Cerca de 44 milhões de pessoas em 38 países estão a um passo da fome. E
mais de meio milhão na Etiópia, Sudão do Sul, Iêmen e Madagascar já sofrem com
essa extrema falta de alimentos".
A fome
persegue milhões de pessoas
David Beasley, diretor do Programa Mundial de Alimentos da
ONU, foi muito claro em entrevista à CNN: “Milhões de pessoas passarão fome,
países serão desestabilizados e famílias migrarão por necessidade”.
Mais pobre,
mais faminto
É claro que o problema da fome e das necessidades
alimentares não é desconhecido nos países pobres. Mas, como David Beasley
perguntou em sua entrevista à CNN, "o que acontecerá quando a comida
estiver fora do alcance de mais alguns milhões?"
Exemplo
da Índia pode ser copiado
Diante da escassez, outros governos, além da Índia, poderiam
decidir proibir a exportação de sua produção de trigo ou de outros produtos,
afetados pelo aumento de preços.
Imagem: James Alhberg/Unsplash
Alerta do
Banco Mundial
O Banco Mundial pede especialmente a nações como Argentina,
Brasil e Austrália, grandes exportadores agrícolas, que deixem fluir o comércio
de todos os tipos de produtos.
Escassez
nos países ricos: o caso do óleo de girassol
A crise alimentar também provocará escassez ou falta de
certos produtos. A manchete do New York Times, em 5 de maio de 2022, dá um
exemplo: 'A guerra na Ucrânia continua e o óleo de girassol desaparece'.
Prateleiras
vazias?
O mundo desenvolvido verá prateleiras vazias? Já aconteceu no Reino Unido, devido a problemas de abastecimento, causados pela pandemia ou com o início do BREXIT.
Gás
Outro possível problema poderia piorar a situação: a Rússia
deixar de exportar gás. Se isto acontecer, muitos países sofrerão, os preços
subirão e, no final, isto afetará o mais básico, que é a alimentação.
Efeito
dominó
Retornar a um mundo de paz, restaurar a estabilidade e
cuidar melhor do meio ambiente são iniciativas imprescindíveis para amenizar a
catástrofe.
Desglobalização
Também há quem chame este período de “desglobalização” e
aposte no regresso de fórmulas de soberania econômica. Cada país poderia, na
medida do possível, abastecer-se. Mas isso é outra discussão.
Imagem: Julia Kozoski/Unsplash