BBC -15/09/2026 14:18
Becky Jones tinha apenas 21 anos quando descobriu que tinha um câncer cerebral e, supostamente, apenas alguns meses de vida. O diagnóstico, feito por um médico especialista em câncer, levou a mulher a submeter-se a 11 anos de quimioterapia, que mudaram a sua vida e o seu estado de saúde.
Segundo relata Becky, disseram a ela que sem tratamentos não
sobreviveria e que, provavelmente, teria que se submeter aos mesmos até ao
resto da sua vida.
"Me disseram, muitas vezes, que se não fizesse
quimioterapia que iria morrer", recorda.
Agora, com 34 anos, a britânica descobriu que afinal nunca
teve um câncer. Sofria antes de uma inflamação cerebral que podia ter sido
tratada com esteroides, noticia a BBC.
Becky é apenas um de 40 pacientes que estão tomando ações
legais contra o Hospital Universitário de Coventry e Warwickshire (UHCW), por
terem sido sujeitos a tratamentos para câncer que eram desnecessários.
A verdade foi descoberta precisamente depois de Becky saber
que o hospital estava reavaliando vários diagnósticos de câncer, no ano
passado.
Mais tarde, recebeu uma chamada telefônica a informando que
os tratamentos iam ser interrompidos e que o médico que tinha feito o
diagnóstico tinha se aposentado.
"Nunca tive um câncer no cérebro. Fui mal diagnosticada
e me sujeitei a toda esta dor durante toda a minha vida adulta", contesta
a mulher, a quem disseram que não conseguiria ter filhos, mesmo embora seja
hoje mãe de duas crianças.
A BBC conversou com vários outros afetados que revelaram ter
contraído outros problemas de saúde como consequência dos tratamentos de
quimioterapia a que se submeteram.
Entretanto, o centro hospitalar informou que está sendo
conduzida uma investigação e assegurou que toda a comunidade de pacientes está
segura e que o bem-estar está no topo das prioridades da UHCW.