metropoles -03/04/2026 18:36
O desconforto abdominal, a azia e a sensação de estufamento são frequentemente negligenciados e atribuídos apenas ao estresse. No entanto, o verdadeiro culpado pode estar no prato. Segundo a nutricionista e psicóloga Cibele Santos, hábitos culturais profundamente enraizados, como o café em jejum ou o uso de temperos prontos, funcionam como agressores silenciosos do sistema digestivo.
A especialista explica que a busca por alimentos
“confortáveis” em momentos de ansiedade acaba
criando um ciclo vicioso de inflamação gástrica e mal-estar físico.
Entenda
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Agressão ácida: bebidas estimulantes sem
acompanhamento sólido elevam a acidez estomacal de forma perigosa.
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Riscos químicos: embutidos contêm
substâncias que, além de irritantes, são classificadas como carcinogênicas pela
OMS.
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Distensão e flora: o gás e os adoçantes
de bebidas industriais alteram a microbiota e causam inchaço abdominal.
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Digestão lenta: alimentos gordurosos
retardam o esvaziamento do estômago, favorecendo episódios de refluxo.
O perigo do “cafezinho” solitário
Para muitos brasileiros, o dia só começa após uma xícara
de café.
No entanto, quando consumida em jejum, a bebida torna-se uma vilã. A
cafeína estimula a produção de ácido clorídrico e, sem nenhum alimento no
estômago para “amortecer” esse efeito, o órgão fica exposto à própria acidez. A
longo prazo, esse hábito é um convite para o desenvolvimento de gastrites erosivas.
Ultraprocessados e a “falsa praticidade”
A indústria alimentícia oferece soluções rápidas, como
salsichas, presuntos e caldos em cubo, mas o preço para a saúde é alto. Porém,
segundo a especialista, os embutidos são ricos em nitritos e nitratos,
substâncias que agridem diretamente a parede estomacal. Já os condimentos
prontos são verdadeiras bombas de sódio e glutamato monossódico, agressores
diretos da mucosa.
Além disso, os refrigerantes — inclusive as versões zero —
contribuem para o desconforto através da distensão abdominal causada pelo gás e
pela alteração da flora intestinal provocada pelos edulcorantes artificiais.
Ultraprocessados na infância podem deixar as crianças
mais ansiosas, hiperativas e com medo
Gordura e refluxo
As frituras representam outro grande obstáculo para
uma boa digestão. A gordura exige um esforço maior do organismo, o que retarda
o esvaziamento gástrico. Isso significa que o alimento e o ácido permanecem em
contato com a mucosa por muito mais tempo do que o necessário, o que gera a
sensação de queimação e o refluxo gastroesofágico.
O elo entre mente e prato
Cibele Santos destaca que a relação com a comida é
também emocional. “Como psicóloga e nutricionista, observo que muitas pessoas
buscam alimentos ultraprocessados para aliviar a ansiedade. O
resultado é um ciclo vicioso: o estresse agride o estômago, o alimento
‘conforto’ agrava a inflamação, e o desconforto físico gera ainda mais
ansiedade”, explica.
Para quebrar essa cadeia, a recomendação da expert é a substituição
consciente por alimentos naturais e a atenção aos sinais que o corpo envia após
cada refeição. Priorizar comida de verdade e evitar o consumo isolado de
estimulantes são os primeiros passos para recuperar a saúde digestiva.