Redação -08/01/2026 10:24
A câmera é meu instrumento. É por meio dela que dou sentido a tudo o que me rodeia. Não me guio por regras rígidas, porque a fotografia não é um esporte — é linguagem, interpretação, escolha.
Ao fotografar, não acredito que se “capture” alguém; o que faço é retirar um fragmento, um pequeno pedaço de quem está diante da lente, preservando sua essência sem aprisioná-la.
Acredito, profundamente, que existem coisas que ninguém veria se eu não as fotografasse. A imagem nasce desse encontro entre o mundo e o olhar: um diálogo silencioso em que o invisível ganha forma.
Por isso,
descrever o próprio trabalho é sempre um desafio para qualquer artista,
independentemente do meio que utilize. Ainda assim, muitos fotógrafos tentaram
— e continuam tentando — explicar sua relação íntima com a câmera e com a
realidade que os cerca.
A fotografia é, ao mesmo tempo, registro e ficção. Documenta
o real, mas também revela um autorretrato, porque só o fotógrafo enxerga o
mundo daquela maneira específica. Cada enquadramento carrega escolhas,
memórias, sentimentos e intenções.
Não se trata apenas do que está diante da lente, mas de quem segura a câmera.
Não tenho medo de errar. O erro faz parte do caminho, do aprendizado e da descoberta. O único receio verdadeiro é desistir — abandonar o olhar, silenciar a sensibilidade, deixar de buscar aquilo que ainda não foi visto. Fotografar é persistir: insistir em olhar de novo, mais fundo, até que a imagem revele seu sentido.