noticias ao minuto -14/01/2026 14:52
Uma mulher de 70 anos foi indenizada em 500 mil euros (R$ 3,15 milhões) pela Justiça italiana após passar quatro anos submetida a quimioterapia agressiva para tratar um câncer que, mais tarde, se comprovou inexistente.
O caso, revelado pela imprensa local, é resultado de um erro
de diagnóstico ocorrido em um hospital universitário de Pisa, no início dos
anos 2000, e deixou sequelas físicas e psicológicas permanentes.
Segundo o jornal Corriere Fiorentino, tudo começou em 2006,
quando a paciente, então com 42 anos, realizou exames na unidade de saúde e
recebeu o diagnóstico de linfoma terminal, um tipo grave de câncer do sistema
linfático que afeta os intestinos. A partir daí, foi submetida a um tratamento
considerado altamente invasivo.
Entre janeiro de 2007 e maio de 2011, a italiana passou por
ciclos intensos de quimioterapia e pelo uso prolongado de corticosteroides. O
tratamento provocou um forte desequilíbrio hormonal, comprometeu o sistema
imunológico e desencadeou quadros de depressão e ansiedade. Apenas em 2011, após
a realização de uma biópsia óssea, os médicos constataram que a paciente nunca
teve câncer.
Diante da revelação, a mulher acionou a Justiça por
negligência médica. Em primeira instância, recebeu uma indenização de 300 mil
euros (R$ 1,89 milhão), valor que considerou insuficiente diante dos danos
sofridos ao longo de anos de tratamento desnecessário. O caso voltou a ser
analisado e, na última quinta-feira, o tribunal decidiu elevar a compensação
para 500 mil euros (R$ 3,15 milhões).
Na decisão, os magistrados afirmaram que o aumento é
plenamente justificado pela “extraordinária angústia e sofrimento” enfrentados
pela paciente, além das consequências irreversíveis para sua saúde física e
mental.
Em entrevista ao jornal Il Tirreno, a mulher relatou que
ainda convive com os efeitos dos tratamentos. “Meu sistema imunológico foi
destruído por terapias erradas, inúteis e prejudiciais”, afirmou. Ela disse que
segue com a saúde fragilizada e que, apesar da decisão judicial, não consegue
superar o impacto emocional do erro. “Sinto-me arrasada. Não encontro paz,
mesmo depois dessa sentença”, desabafou.