Vereador Mário Gay ameaça de morte mãe de ex-assessor "se perder o mandato"

Por moises eustaquio - 10/10/17 - 14:50

Um novo capítulo da “novela política” envolvendo o vereador Mário Henrique Cardoso, o Mário Gay, do PPS, foi escrito na noite desta segunda-feira, 9, no recinto da Câmara de Vereadores e para não fugir à regra tem como protagonista principal o próprio parlamentar.

Segundo registro no 2º Distrito Policial, Mário Gay extrapolou novamente ao ofender com palavras de baixo calão e ameaçar de morte a professora Luciana Alcântara Pimenta, 42, moradora da Rua Floriano Peixoto [centro].

A vítima é mãe do jovem K.P.M., ex-assessor que denunciou o parlamentar por assédio moral e sexual. Luciana foi execrada pelo vereador no encontro que agendou com todos os parlamentares da Casa para cobrar uma CEI [Comissão Especial de Inquérito] para apurar o caso envolvido Mário e o filho dela.

De acordo com testemunhas, Mário Gay invadiu a reunião e partiu para cima de Luciana tentando agredi-la, mas foi contido pelos colegas Guto Marão, Sérgio Santaella e Márcio Makoto, e retirado na marra do ambiente por esse último. “Se eu perder a cadeira vou te matar”, prometeu o vereador à professora.

Na manhã desta terça-feira, Luciana Pimenta registrou queixa na Polícia Civil [BO 1117/2017] acompanhada da testemunha Gilselene Zorzan, decoradora que estava presente à reunião e meses atrás também foi xingada e agredida por Mário Gay no interior de Câmara. Esse caso já está sendo alvo de inquérito na Seccional em Andradina.

“Ele fez o maior escândalo na reunião e antes, fora do recinto da Câmara, já havia me ameaçado, prometendo arrebentar minha cabeça com um pedaço de pau, porém preferi ignorar naquele momento”, disse Luciana à reportagem do Impacto. A professora vai representar o vereador e requerer apuração dos fatos.

NÃO RESPONDEU

Mário Gay não participou da sessão ordinária desta segunda-feira, mas teria permanecido do lado externo da Câmara, em companhia de alguns assessores do governo municipal. A reportagem tentou contato no gabinete dele, hoje, mas ninguém atendeu ao chamado no ramal.

PRESIDENTE DIVULGA NOTA

A assessoria do vereador e presidente Silas Carlos Oliveira divulgou nota:

“Presidente lamenta o desentendimento entre o vereador Mário e a professora. Diz que a Mesa da Câmara não pactua com qualquer espécie de agressão e nem de discurso de ódio, e que reunirá com os vereadores para adotar medidas que impeçam que situações como esta voltem a ocorrer, de maneira que seja garantida a segurança dos vereadores e das pessoas que acompanham o Legislativo”.

ASSÉDIO SEXUAL

Mário Gay é acusado de assediar sexualmente o ex-assessor de gabinete, que seria a terceira ou quarta pessoa a ocupar a função após demissões anteriores em curto espaço de tempo.

Segundo o Boletim de Ocorrência 1015/2017, registrado em 12 de julho passado, há algum tempo o jovem vinha sendo constrangido pelo vereador em local de trabalho para que tivesse relações sexuais com ele.

O assedio envolvia mensagens amorosas e solicitações de seus serviços fora do expediente de trabalho, além de tocar o então assessor e difamá-lo afirmando ser seu namorado e responsável em pagar suas despesas, conforme o “BO”.

Na denúncia K.P.M. enfatiza ter pedido por diversas vezes que o vereador parasse com as investidas sobre ele. Mário Gay respondeu que o deixaria em paz quando arranjasse outro namorado e o ameaçou despedi-lo. E o fez posteriormente.

Horas antes de registrar a queixa no Plantão Policial, segundo declarações da vítima, Mário Gay deu barraco em frente à casa do ainda assessor, gritando que era ele quem pagava a faculdade do rapaz.

Na queixa, incluindo gravações de celular, a vítima reforçou que o parlamentar o procurava inclusive durante os estudos e não hesitava em passar frequentemente na frente de sua residência.

DESCONTROLE E AGRESSÃO

Em abril passado, no recinto da Câmara, Mário Gay teve um ataque de nervos e agrediu uma decoradora que aguardava, junto com o marido, uma reunião com outro parlamentar, visando um patrocínio.

Visivelmente descontrolado, o vereador proferiu palavrões contra a decorada e a agrediu fisicamente. Felizmente, servidores da casa intervieram e evitaram que o parlamentar descarregasse toda a sua fúria na vítima.

Segundo a decoradora, o vereador a taxou de “escória e desgraça” e lhe atingiu com a unha na mão direita. De acordo com BO 616/2017, Mário Gay deverá responder por lesão corporal, difamação e ameaça.  

Nesse dia o vereador alegou que há uma semana a decoradora estaria lhe provocando e que a visita ao legislativo seria para lhe irritar

DESFILIAÇÃO POLÊMICA

A primeira polêmica envolvendo o parlamentar diz respeito ao pedido de desfiliação do PPS, partido pelo foi eleito. Ele alega que sua assinatura foi falsificada ou lhe enganaram quando teve que assinar documentos de prestação de contas eleitorais [BO 2/2017].

A liderança do partido, entretanto, afirma que exame grafotécnico comprova que a assinatura é dele mesmo e com base nisso deverá pedir sua cadeira no legislativo, reforçada agora com novas denúncias que, uma vez comprovadas, caracterizam “quebra de decoro”.