Tiroteio na Champs-Élysées, em Paris, deixa policial e atirador mortos

Por g1 - 21/04/17 - 02:26

Um tiroteio ocorreu na Champs-Élysées, mais famosa avenida parisiense, nesta quinta-feira (20). Um policial morreu e o suspeito de ser o atirador também foi morto. Uma investigação de terrorismo está em andamento e o Estado Islâmico reivindicou a ação.

O sindicato de policiais Unité SGP Police chegou a anunciar a morte de um segundo policial, mas um porta-voz do Ministério Interior disse em seguida que ele não havia morrido. Há dois policiais seriamente feridos, além do que morreu.

O porta-voz do Ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet, disse que uma arma automática foi usada para disparar contra os policiais. "Uma arma automática foi usada contra a polícia, uma arma de guerra", disse Brandet a repórteres.

Segundo a agência AFP, uma operação estava em curso na madrugada desta sexta-feira no subúrbio de Seine-et-Marne, onde morava o atirador, que, de acordo com fontes judiciais, tinha 39 anos e nacionalidade francesa.

Como foi o tiroteio

Um sindicato policial disse que um homem num veículo atirou contra uma viatura policial que estava parada num farol vermelho na avenida. Uma testemunha contou que um suspeito saiu do carro e começou a disparar com um "kalashnikov", dando a entender que o atirador portava uma arma similar a um fuzil.

"Eu saí da loja Sephora e estava andando pela rua até onde um Audi 80 estava estacionado. Um homem saiu e abriu fogo com um kalashnikov contra um policial", disse Chelloug, um assistente de cozinha, à Reuters.

"O policial caiu, ouvi seis tiros. Eu fiquei com medo, tenho uma menina de dois anos e pensei que ia morrer ... Ele atirou diretamente no policial", acrescentou.

A correspondente da GloboNews Bianca Rothier, que está na França, informa que o caso ocorreu por volta das 21h locais na altura do número 104 da avenida.

 (Foto: Editoria de Arte/G1)

(Foto: Editoria de Arte/G1)

A França abriu uma investigação relacionada a terrorismo. A investigação foi passada à seção antiterrorista da procuradoria de Paris, declarou o presidente Holande, que indicou que esta deverá determinar a natureza do incidente e se o autor contou com cúmplices.

O suspeito morto seria conhecido dos serviços de segurança franceses. Há um pedido de prisão para um segundo suspeito que teria chegado à França num trem da Bélgica, diz a Reuters.

Estado Islâmico

Rita Katz, diretora do SITE Intel Group, uma organização de monitoramento de extremistas, informou que a agência Amaq, do Estado Islâmico, anunciou que a ação em Paris foi executada por um "guerreiro" do grupo terrorista que chamaria Abu Yusuf al Belijki ("o belga").

"Esta reivindicação é diferente da maioria das outras da Amaq, indicando que o EI tinha familiaridade com o atacante e, possivelmente, do ataque que viria", analisa a especialista.

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Fontes judiciais disseram à AFP que o atirador morto era alvo de uma investigação antiterrorista e esteve detido por tentativa de homicídio. Segundo as primeiras investigações, o atirador era o proprietário do carro utilizado no ataque, na avenida Champs Elysées.

De acordo com as autoridades, o autor do ataque foi condenado - em fevereiro de 2005 - a quinze anos de prisão por três tentativas de homicídio, incluindo contra dois policiais.

Os crimes ocorreram após uma perseguição em 2001. O homem circulava armado em um automóvel roubado quando bateu em outro veículo, no qual estava um cadete da polícia. O homem fugiu caminhando e foi alcançado pelo motorista do veículo e seu irmão, o cadete, que acabaram feridos com disparos no tórax.

Dois dias depois, quando estava detido, feriu gravemente um policial após tomar sua arma na porta da cela. A identidade do atirador é "conhecida e foi verificada", destacou o promotor François Molins, que omitiu o nome para não prejudicar as investigações em curso.

A operação em andamento visa estabelecer "se há ou não cúmplices", revelou o promotor.

 

Eleição

O momento na França é delicado, pois o país celebra neste domingo (23) o 1º turno de uma acirrada eleição presidencial. Pela primeira vez, um candidato da extrema esquerda e um da extrema direita têm chances de chegar juntos ao segundo turno, neste que é o pleito mais imprevisível e marcado por reviravoltas da história recente do país.

O presidente Hollande disse que as forças de segurança estarão em máxima vigilância na votação.