metropoles -09/08/2026 10:13
As três turistas colombianas que morreram na queda de um helicóptero neste sábado (8/8), no Rio de Janeiro, haviam pago R$ 2.550 por um voo panorâmico de cerca de 20 minutos. O passeio era realizado sem as portas da aeronave e previa a passagem por pontos turísticos da cidade, entre eles a Floresta da Tijuca, onde ocorreu o acidente.
Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy
Manrique eram da mesma família. Elas estavam a bordo do helicóptero
Robinson R44, de matrícula PP-MFS, pilotado por Alessandro Rocha. Os
quatro ocupantes morreram.
A aeronave caiu em uma encosta próxima à Vista Chinesa, na
zona sul da capital fluminense. O impacto provocou uma explosão e um incêndio
na mata.
Cerca de 40 militares do Corpo de Bombeiros participaram da
operação, que também mobilizou 11 viaturas e quatro unidades
operacionais. A Polícia Civil e autoridades aeronáuticas investigam o
acidente.
Segundo documentos obtidos pelo Metrópoles, o passeio
foi contratado com a Voos Rio Panorâmico. O site da empresa apresenta
oferta passeios para “sobrevoar as paisagens mais icônicas da Cidade
Maravilhosa”.
“Veja o Rio de Janeiro como poucas pessoas já viram,
com segurança, conforto e paisagens de tirar o fôlego. Imagine a emoção de voar
de helicóptero no céu do Rio de Janeiro, sobrevoando cartões-postais mundialmente
famosos”, diz.
Os pacotes anunciados podem chegar a uma hora de duração e
custar mais de R$ 1,3 mil por passageiro. Entre as opções de passeio está a
modalidade conhecida como “doors off”, voos panorâmicos que são realizados sem
portas laterais da aeronave.
Empresa
recebeu autorização em outubro de 2025
A Voos Rio Panorâmico foi autorizada a operar esse tipo de
passeio em outubro de 2025. Uma portaria publicada pela Agência Nacional de
Aviação Civil (Anac)
no fim daquele mês reconheceu que a companhia havia cumprido os requisitos para
explorar serviços aéreos. A autorização dependia da manutenção das condições
técnicas e operacionais exigidas pela agência.
Antes da liberação, servidores da Anac avaliaram documentos,
aeronaves, instalações, equipamentos, funcionários e procedimentos de segurança
da empresa. A vistoria incluiu uma simulação completa de voo panorâmico,
realizada em outro helicóptero, de matrícula PR-MPT.
No parecer final, os fiscais afirmaram que não encontraram
irregularidades que impedissem a certificação. A equipe considerou que a
empresa tinha estrutura e pessoal suficientes para executar o serviço e
classificou o voo de demonstração como seguro e organizado.
Durante a análise do sistema de segurança operacional,
porém, os servidores observaram que a identificação de perigos, a avaliação de
riscos e a adoção de medidas preventivas nem sempre eram registradas
formalmente, como previa o manual da companhia.
A empresa foi orientada a atualizar os documentos internos,
registrar todos os riscos identificados e acompanhar indicadores de segurança.
Apesar disso, o sistema foi considerado adequado para a atividade pretendida, e
o processo recebeu parecer favorável.
Helicóptero
estava regular
Documentos da Anac mostram que o PP-MFS estava regular e autorizado
a ser utilizado pela Voos Rio Panorâmico.
Segundo informações da agência, a aeronave foi fabricada em
2001. Em julho de 2025, a Voos Rio Panorâmico informou à agência que havia
comprado o helicóptero.
O PP-MFS também foi um dos três helicópteros apresentados
pela empresa durante seu processo de certificação da empresa na Anac, em 2025.