metropoles -11/09/2026 13:22
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou público no fim da noite desta quinta-feira (10/9) o contrato firmado entre a mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci, e o Banco Master. O documento consta na investigação sobre a instituição financeira e teve o sigilo retirado após pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
O contrato, firmado em janeiro de 2024, previa a
implantação, acompanhamento e aprimoramento constante e continuado de programa
de integridade (compliance); consultoria
estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias
Federal e Civis e procedimentos administrativos, inclusive perante o
Banco Central, a Receita Federal e CADE; e processos judiciais em todas as
instâncias do Poder Judiciário.
Pelos serviços, ficou firmado o pagamento de 36 parcelas de
R$ 3 milhões líquidos, sendo R$ 3,64 milhões bruto.
Os repasses mensais foram efetuados regularmente a partir de
fevereiro de 2024, totalizando 22 parcelas que somaram R$ 80,2 milhões pagos
pelo Banco Master até o fim de 2025. Os pagamentos só foram interrompidos em
novembro, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco
Master.
No relatório tornado público por Mendonça no início da
semana,
a Polícia Federal detalha que o documento foi editado pelo ministro Alexandre
de Moraes. Os metadados de arquivos extraídos do celular de Vorcaro
indicam que um documento no formato Office 365 sofreu alterações registradas
sob o usuário “Ministro Alexandre de Moraes” na noite de 15 de janeiro de 2024.
O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro
acessou e editou a versão final do contrato de prestação de
serviços. Segundo a assessoria do escritório, a consulta ocorreu a
pedido do próprio setor de compliance para verificar a existência de eventuais
impedimentos legais para a contratação.
“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de
qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais
julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os
serviços advocatícios devidamente prestados”, diz a nota.
Crise no STF
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1º de setembro: ministro André Mendonça
retira o sigilo de parte da investigação do caso Banco Master em que o nome do
ministro Alexandre de Moraes aparece. O relatório da Polícia Federal revela uma
suposta troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
·
3 de setembro: Moraes reage e encaminha a
Edson Fachin, no âmbito do inquérito das fake news, um pedido para investigar a
atuação de Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade
administrativa e crime de responsabilidade. As acusações ainda não foram
julgadas.
·
4 de setembro: Fachin nega o pedido de
Moraes e encaminha o procedimento à Presidência do STF. O ministro também dá
cinco dias úteis para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República se
manifestem.
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8 de setembro: Mendonça afasta
preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o
diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro aponta
suspeitas sobre a produção de relatórios da PF relacionados à sua atuação. A
decisão provoca reação da Advocacia-Geral da União, e 11 diretores da PF
colocam os cargos à disposição em apoio aos dois delegados.
·
9 de setembro: ministro Flávio Dino
determina o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos e aponta
“atropelos processuais” na decisão de Mendonça. Horas depois, Fachin suspende
tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino e mantém, na prática, os dois delegados
na PF enquanto analisa o impasse. Presidente do STF centraliza procedimentos
envolvendo ministros da Corte e convoca uma sessão extraordinária do plenário
para 15 de setembro.
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10 de setembro: Fachin pede derrubada de
sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e manda o relator,
ministro André Mendonça, entregar um HD com as informações à Presidência da
Corte e aos demais magistrados. Mendonça atende Fachin e retira sigilo da
investigação do caso Master.
Retirada do sigilo do caso Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
(STF), atendeu ao pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e retirou o
sigilo da investigação do caso Master. Mendonça é o relator do caso, por isso,
ele tem o poder de retirar o sigilo do processo. Fachin fez a solicitação
na noite desta quinta-feira (10/9) e pediu que o relator entregasse um HD
com as informações à presidência da Corte e aos demais ministros.