cnn -27/07/2026 22:39
O Ministério das Relações Exteriores informou, na noite
desta segunda-feira (27), que o governo brasileiro apresentou à OMC
(Organização Mundial do Comércio) um pedido de consulta aos Estados Unidos no
âmbito do sistema de solução de controvérsias do órgão sobre o novo tarifaço de
Donald Trump.
A ação se refere a duas medidas da gestão do republicano que
atingiram o Brasil nas últimas semanas.
"O Brasil considera que as medidas norte-americanas são
injustificadas e incompatíveis com obrigações dos EUA no âmbito do Acordo Geral
sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e do Entendimento Relativo às
Normas e Procedimentos sobre Solução de Controvérsias da OMC", diz a nota
do Itamaraty.
No último dia 22, os EUA aplicaram uma tarifa de 25% contra certos produtos
brasileiros, oriunda de uma investigação do órgão que vinha se
desenvolvendo desde que Trump anunciou o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil,
em julho de 2025.
No começo de junho deste ano, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a
imposição da alíquota no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana -
ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem
outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
Mesmo após uma série de audiências públicas em que a sociedade civil se
expressou contra o tarifaço, o USTR determinou que políticas do governo
brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção,
processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram
insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
A segunda medida, efetivada no último dia 24, se refere a
uma tarifa de 12,5% aplicada contra países que teria
falhado na adoção e aplicação de "proibições à importação de [produtos que
são fruto do] trabalho forçado", segundo o USTR.
Para alguns produtos, ambas as tarifas se somam, totalizando uma alíquota de 37,5% que vai recair sobre 16,5% da
pauta exportadora brasileira aos EUA, segundo cálculo do governo.